Foto: Marcio Machado/SECS

 Requião afirma que faltam investimentos.

O governador Roberto Requião apontou as contradições das políticas interna e externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?A política econômica do País é a pior possível. O País está perdendo em infra-estrutura. O País não investe em estradas, portos, ferrovias. Estamos desarticulando a possibilidade de crescimento do País no médio e no longo prazo. É muito ruim a política interna?, disse ontem, ao participar de encontro de lideranças políticas, empresariais e estudantis em Maringá, juntamente com o economista Carlos Lessa.

?Pelo contrário, a política externa do País é uma política interessante. É uma política de independência, que aposta no Mercosul, nesse eixo Brasil, Venezuela e Argentina?, completou Requião.

Para Requião, são essas as contradições do governo Lula. ?Mas qual é a verdade nisso tudo: é que nenhum governo é absolutamente bom e nem completamente ruim. Isso vale para o Lula e deve valer para mim também?, destacou.

O economista Carlos Lessa, por sua vez, defende uma mudança radical na condução da política econômica no País. ?É uma política que vem sendo conduzida errada desde o governo Collor. É uma opção preferencial pela estabilidade do ponto de vista formal, mas se conduz no concreto a uma política que reforça poderosamente os interesses do capital financeiro. É uma política que privilegia espantosamente o rentismo e inibe o desenvolvimento das forças produtivas?, avalia.

Lessa afirma que é possível reduzir ?em muito? os juros no Brasil. ?Como estamos pagando mais que o dobro do que o segundo colocado mundial, pelo menos, reduzir ao nível da Turquia, economizaríamos R$ 70 bilhões por ano de juros. A taxa de juros é de 19,5%, se você reduzir para 10%, você continua maior que taxa turca. Só para fazer um paralelo, a maioria dos estados gastou em 2004 a média de R$ 5 bilhões?.

Com esses recursos, segundo Lessa, o governo federal poderia investir em obras como estradas, hospitais, escolas, casas populares e qualificar a renda da maioria dos brasileiros.