O farelo de soja exportado aos EUA por países cuja safra tenha sido afetada pela ferrugem asiática – principalmente o Brasil – não deveria ser embarcado nos portos em que tenham sido embarcados grãos afetados pelo fungo. A recomendação, feita ao Departamento de Agricultura dos EUA, foi apresentada pela Associação Americana de Soja (ASA, na sigla em inglês).

“Se um contêiner no porto é usado para carregar soja contendo esporos vivos da ferrugem, é bem possível que alguns irão se misturar com o próximo volume a ser carregado”, disse a associação, em comentário feito ao departamento – que deverá adotar em breve medidas para impedir que o fungo chegue ao país.

“Recomendamos que qualquer volume de farelo de soja para os Estados Unidos deverá ser embarcado apenas em equipamentos que não carregaram soja em grão recentemente”, acrescenta o comunicado do grupo.

A ferrugem asiática provoca desfolha precoce da soja e redução de peso do grão e é espalhada pelo vento. Sem tratamento, até 70% da lavoura pode ser atingida. O departamento teme que se o fungo chegar aos EUA, as perdas nos rendimentos, somadas ao custo do combate ao fungo, cheguem a bilhões de dólares.

Supersafra frustrada

O Brasil deve interromper neste ano um longo período de safras recordes de soja. Excesso de chuvas no Centro-Oeste, seca forte na região Sul e a ocorrência de ferrugem asiática em todo o País deverão derrubar a safra brasileira para 51,5 milhões de toneladas, conforme as estimativas mais pessimistas, feitas pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). As estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA chegavam a 61 milhões de toneladas.

Esse cenário está alterando as negociações mundiais. Os preços atingem os maiores patamares dos últimos 16 anos e são bem superiores aos negociados no mercado futuro. Apesar de estar em plena safra e com grande oferta de produto, o Brasil é o principal prejudicado.

A demanda mundial por soja é forte. A mesma China que forçou a elevação nos preços do produto provocou reajuste de até 200% nos preços dos fretes marítimos em um ano. A soja brasileira, mais distante do mercado chinês do que a norte-americana, vale US$ 3 a menos por saca.