O crescimento do emprego formal a partir de abril e maio deste ano, dando suporte real à massa salarial, além das medidas de estímulo ao setor de bens de capital, anunciadas na semana passada pelo governo, fortalecendo o mercado interno diante da crise internacional, são duas condições que mostram que o pior já passou.

A análise foi feita hoje (9) pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Ele destacou que a produção industrial, área mais afetada pela crise, além do investimento, já está sustentando uma “recuperação lenta, mas consistente”.

De acordo com ele, as recentes medidas devem ter um efeito positivo sobre o setor empresarial ao longo do segundo semestre, dando às empresas confiança para a antecipação de compras e investimentos.

“Uma das coisas que podem ajudar nesse processo macroeconômico é estimular a formação de capital, que é investimento e é poupança. Quanto mais cresce o investimento, mais cresce a poupança. E nós vamos estar ajudando a sustentar um crescimento mais saudável”, afirmou.

Coutinho disse que as consultas para investimentos e aprovações pelo BNDES voltaram a crescer, o que é uma indicação de que a economia está ultrapassando a crise. Salientou, contudo, que esse processo “ainda não se consolidou”.

Ele manifestou também convicção de que a economia brasileira vai crescer em 2010 em torno de 4%, “ou até um pouco mais”, e não ocorrerá descontinuidade no crescimento. “O incentivo para antecipar investimento é válido porque quanto mais cedo o setor empresarial volta a investir, mais fácil fica controlar a inflação”, assegurou Coutinho.

Na avaliação do presidente do BNDES, a retomada do processo de investimento facilitará que a taxa de juros básica fique no patamar de um dígito. “E que, em termos reais, a gente fique com um patamar de juros real sub 5 [abaixo de 5%]”.

Coutinho esclareceu que a consolidação desse patamar é um processo de médio prazo. “Eu estou falando dos próximos três a quatro anos. Então, nós temos que pensar em criar condições para que a economia brasileira poupe e invista mais. Porque a economia que vai poupar e investir mais pode assegurar um patamar de juros mais baixo no médio prazo”.