A retomada na produção de motocicletas e aviões impulsionou o resultado de outros equipamentos de transporte, cuja produção subiu 8,9% em maio ante abril. O segmento exerceu o principal impacto positivo sobre a indústria brasileira no período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Houve uma retomada na produção de motocicletas em maio, após uma paralisação no mês de abril. Isso explica boa parte da alta de outros equipamentos de transporte. Houve retomada também na produção de aviões”, disse André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

O setor vinha de duas quedas consecutivas. Em abril, a produção de Outros equipamentos de transporte recuou 8,3%. Em março, a queda foi 4,2%, sempre na comparação com o mês imediatamente anterior.

Apesar da melhora na margem, o setor continuou exibindo perdas em relação ao ano passado. A produção em maio recuou 8,8% em relação a igual mês de 2014, segundo o órgão.

Queda

A indústria surpreendeu ao exibir uma alta de 0,6% na produção em maio ante abril. Mas os recordes negativos continuaram nas demais comparações. A atividade encolheu 8,8% em relação a maio do ano passado, um movimento acompanhado por 72,4% dos 805 produtos investigados pelo IBGE. Um índice de difusão da queda como este nunca foi observado na série, iniciada em janeiro de 2013 para este quesito. “O que se vê é uma melhora em relação ao patamar que se observava em abril, mas isso é pouco diante das perdas que já se teve no passado”, frisou Macedo. “Há uma trajetória ainda de queda dessa produção industrial.”

No bimestre abril-maio, a indústria já acumula uma perda de 8,3% em relação a igual período do ano passado. Nesse ritmo, a atividade caminha para uma intensificação da queda observada no primeiro trimestre, que foi de 5,9% no mesmo tipo de comparação.

Bens de capital

A queda de 26,3% na produção de bens de capital em maio ante maio de 2014 é a maior neste tipo de confronto desde abril de 2009, quando o recuo em relação a igual mês do ano anterior foi de 27,4%, segundo o IBGE. Já a queda da categoria em 12 meses até maio (-15,8%) é a mais intensa desde dezembro de 2009 (16,5%).

Nos bens de consumo semi e não duráveis, a retração de 10,4% na produção em maio ante igual mês de 2014 foi a maior nesta comparação desde janeiro de 2009, quando a queda foi de 11,0%, apontou o órgão.

Os bens de consumo duráveis, por sua vez, acumulam queda de 14,5% em 12 meses até maio de 2015, o recuo mais intenso nesta base já observado na série do IBGE, iniciada em 2004.