Representantes dos operadores portuários e dos trabalhadores do setor se reuniram ontem na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), em Curitiba, para discutir sobre a decisão da classe patronal em contratar seus próprios funcionários. Atualmente, o serviço funciona em sistema de rodízio, coordenado pelo Sindicato dos Estivadores de Paranaguá e Pontal do Paraná. No encontro – também mediado pelo Ministério Público do Trabalho e pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina – ficou estabelecido que o sindicato tem dez dias para apresentar uma contraproposta, que será discutida em uma nova rodada de negociações.

O sindicato é contra a mudança, que segundo seu presidente, Arivaldo Barbosa José, causaria um grande número de desempregados na região com a caracterização do vínculo trabalhista, pois muitos trabalhadores poderiam não conseguir contratos. ?Mesmo sem vínculo oficial, os trabalhadores não são prejudicados, já que o sindicato faz as vezes de patrão nos encargos trabalhistas, arcando com questões jurídicas, beneficiária e até previdenciária?, diz.

O Sindicato dos Operadores Portuários afirma que só está cumprindo a lei e que a medida geraria economia e agilidade nos serviços. Além disso, a contratação de seus próprios estivadores acabaria com outro problema que causou uma recente paralisação no Porto de Paranaguá: a chamada eletrônica, que realiza sorteio automático de funções. O recurso foi adotado em substituição à chamada manual, que na opinião dos trabalhadores era mais adequada para posiciona-los nas funções de acordo com suas aptidões. No próximo dia 10 será realizada uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho para tentar pôr fim à polêmica.