Brasília (AE) – O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, José Antonio Gragnani, afirmou ontem que o risco País precisa cair ?algumas dezenas? de pontos para fazer jus aos avanços da economia brasileira. Apesar da queda histórica para um nível abaixo de 300 pontos, o secretário disse que o risco Brasil ainda é elevado. ?É histórico, mas alto para os fundamentos macroeconômicos do Brasil?, disse. Na sua avaliação, ainda há espaço para uma queda maior. ?A expectativa é que no decorrer do ano o risco recue para níveis compatíveis com a solidez da economia?, afirmou.

O risco voltou a cair ontem e alimentou rumores de que o Tesouro Nacional pode aproveitar essa janela de oportunidade para fazer a primeira captação de recursos externos com a emissão de bônus da República em 2006. Quanto menor o risco, mais barato sai para o governo e as empresas emitirem papéis no exterior. O risco é um indicador econômico que mede a confiança dos investidores na capacidade de um país honrar a suas dívidas.

O secretário evitou dar uma indicação sobre quando o Tesouro voltará a fazer uma emissão, mas avaliou que ?tudo indica? que o mercado internacional continuará favorável para emissões de países emergentes, entre eles o Brasil. Segundo ele, o Tesouro vai continuar se aproveitando desse cenário favorável.

?Dentro do possível nós vamos aproveitar as oportunidades de mercado sempre com muita cautela e olhando a performance dos títulos já colocados?, disse o secretário. ?A liquidez ainda é muito grande. E o Brasil, pelos resultados que vem obtendo, tornou-se um País mais interessante para investimentos?, destacou.

Dos US$ 9 bilhões de emissões de títulos no mercado externo previstas para 2006 e 2007, o Tesouro já antecipou a captação de US$ 3,5 bilhões no ano passado. Segundo Gragnani, a análise de uma nova emissão externa em real está sendo considerada. Mas o Tesouro também avalia a possibilidade de emitir títulos corrigidos pela variação de outras moedas, como dólar e euro. No ano passado, pela primeira vez, o governo lançou cerca de US$ 1,5 bilhão em bônus no exterior com correção atrelada ao real e prazo de vencimento de 10 anos.

?O custo é o mais importante na decisão. Qualquer análise sobre operações em real no exterior tem que levar em conta a extensão do prazo para não competir com o mercado local de dívida?, disse o secretário. O bônus em real é equivalente na dívida interna a um papel prefixado. O prazo mais longo de um título prefixado no mercado interno tem vencimento em 2012.

O secretário-adjunto informou ainda que nas futuras captações o Tesouro vai continuar mantendo a abertura no horário do Oriente (Hong Kong), como fez nas duas últimas operações do ano passado. Com esse horário, os investidores asiáticos têm mais tempo para a apresentação das propostas. ?A mudança no horário deu resultados muito positivos. Nas duas últimas emissões, o número de investidores asiáticos subiu para cerca de 20 contra 1 ou 2 nas emissões entre 2003 e meados de 2005?, disse.