O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) elevou nesta quarta-feira, 7, de 4,2% para 4,9% o risco de desabastecimento de energia na região Sudeste/Centro-Oeste neste ano. Com isso, o risco se aproximou do limite tolerado pelo Conselho Nacional Política Energética (CNPE), que é de 5%. Na região Nordeste, o risco subiu de 0,3% para 1,2% neste ano. Esses números consideram a série histórica de chuvas dos últimos 82 anos.

Considerando a série sintética, que desdobra a série histórica de 82 anos em 2.000 cenários artificiais, o risco de desabastecimento de energia subiu ainda mais. Para as regiões Sudeste/Centro-Oeste, o risco atingiu o patamar de 7,3%, ultrapassando o limite fixado pelo CNPE. Para o Nordeste, o risco subiu para 2,5%.

O governo manteve a avaliação segundo a qual outras ações podem ser adotadas para manter o suprimento de energia. Mais uma vez, essas possíveis medidas não foram detalhadas.

“Mesmo com o sistema em equilíbrio estrutural, ações conjunturais específicas podem ser necessárias, em função da distribuição espacial dos volumes armazenados, cabendo ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a adoção de medidas adicionais àquelas normalmente praticadas, como a estratégia que vem sendo adotada desde 2014, para preservação dos estoques nos principais reservatórios de cabeceira do Sistema Interligado Nacional (SIN)”, diz a nota.

Ainda assim, o Ministério de Minas e Energia (MME) reiterou que as condições de abastecimento de energia para este ano estão “adequadas”, principalmente devido às usinas térmicas, usadas para complementar a geração das hidrelétricas.

De acordo com nota divulgada pelo Ministério de Minas e Energia, as chuvas continuaram abaixo do volume normal na maioria das regiões em dezembro. No Sudeste/Centro-Oeste, as chuvas atingiram 85% da média história; no Nordeste, 64%; e no Norte, 80%. Apenas no Sul as chuvas ficaram acima da média história e atingiram 106%.

A nota informa que o País ainda está enfrentando um período de “transição hidrológica” e sofre forte influência da tendência percebida no ano passado, quando houve uma forte seca. “Assim, a avaliação conjuntural do desempenho do sistema e de riscos de déficit associados deve ser feita de forma cuidadosa, uma vez que o período úmido ainda não está caracterizado”, diz o comunicado.

A nota destaca que há uma sobra estrutural de 7,3 mil MW médios de energia no País e que está prevista a entrada de 6,4 mil MW médios em novos empreendimentos.