O principal impacto da taxação de 2% pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) do capital estrangeiro, em vigor desde terça-feira, será o aumento da arrecadação federal.

A avaliação é do economista-chefe do Banco Safra de Investimentos, Cristiano Oliveira, e consta de relatório que a instituição enviou a seus clientes neste final de semana.

Ele chegou a estimar o potencial de arrecadação adicional de IOF com base nos dados de ingresso de investimentos estrangeiros em carteira disponíveis até setembro.

“Considerando as entradas de investimentos em carteira entre janeiro e setembro, a alíquota de IOF de 2% e assumindo taxa de câmbio de R$1,70/US$, estimamos arrecadação adicional de IOF de R$ 515 milhões por mês”, diz Oliveira.

Este valor, segundo o chefe do Departamento Econômico do Safra, deve ser o patamar mínimo de arrecadação adicional proporcionado pela taxação. Isso porque o período em questão inclui os meses de janeiro a abril, que foram bastante negativos para os investimentos em carteira.

“Se excluirmos estes meses da análise, o aumento estimado de arrecadação mensal seria de R$ 659 milhões. Acreditamos que a dinâmica dos próximos meses se aproximará mais daquela verificada de maio a setembro. Dessa forma, o potencial de arrecadação adicional gerado pela incidência de IOF sobre o ingresso de capital estrangeiro para operações de renda variável e renda fixa é de, pelo menos, R$ 6,2 bilhões em 12 meses”, estima o economista.

Em resumo, diz ele, “não acreditamos que esse imposto seja capaz de evitar a tendência de apreciação do real frente ao dólar”. “Entretanto, consideramos que tenha um forte potencial de arrecadação adicional para os cofres públicos, o que é bastante importante em um momento de continuada perda de receitas, como tem sido o ano de 2009.”