Foto: Fábio Alexandre

Estimativa é 0,3% maior do que a feita em julho.

A safra agrícola 2007/2008 deve chegar a 133,8 milhões de toneladas (t), conforme previsão feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em agosto. A estimativa é 0,3% maior do que a realizada em julho e, caso a previsão seja confirmada, a safra será 14,3% maior do que a do ano passado, quando chegou a 117 milhões de toneladas. As informações são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) e foram divulgadas ontem pelo IBGE.  

Caso a previsão se confirme, o Paraná irá liderar o ranking nacional, com a produção de 28,99 milhões de toneladas de grãos, o que corresponde a 21,7% da produção nacional. Em seguida, aparecem o Rio Grande do Sul, com participação de 18,3%, e o Mato Grosso (18,2%). Apesar do aumento estimado na safra, o IBGE confirmou um decréscimo de 0,3% na área plantada em 2007 na comparação com a safra passada. Com isso, a área cultivada passou de 45,5 milhões de hectares para 45,4 milhões. No Paraná, a área prevista é de 8,3 milhões de hectares – 18,3% da área total.

Soja e milho se destacaram mais uma vez na estimativa de agosto, representando 82,5% da produção total de 2007, com 58,2 milhões de toneladas para a soja e 52,2 milhões para o milho. Estes dois produtos também apresentaram as maiores áreas plantadas, com 20,6 milhões de hectares e 13,8 milhões de hectares, respectivamente.

Com relação ao trigo, é esperada uma produção de 4 milhões de toneladas, 61% superior à safra do ano passado. No Paraná, maior produtor nacional de trigo, é esperada uma safra de 1,9 milhão de toneladas, 54,5% a mais do que a obtida em 2006. Na comparação com a estimativa de julho, houve uma queda de 3,2%. A perda se deve, principalmente, a condições climáticas irregulares no Paraná, como a falta de chuvas por longos períodos e a geada, que causaram prejuízos em julho, especialmente para produtores que semearam mais tarde. Nas regiões onde o plantio foi realizado mais cedo, como na parte oeste do Estado, a colheita do produto já começou.

Regiões

Entre as grandes regiões, a previsão da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas ficou distribuída da seguinte forma: Região Sul, com 59,8 milhões de toneladas; Centro-Oeste, 44,5 milhões de toneladas; Sudeste, 15,9 milhões de toneladas; Nordeste, 10,2 milhões de toneladas, e Norte, 3,3 milhões de toneladas.

Estiagem começa a preocupar

A falta de chuva já vem preocupando os produtores rurais do Paraná. Segundo o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Francisco Simioni, a preocupação maior é com o feijão, que tem o pico de plantio no mês de setembro. Até agora, apenas 15% da área prevista foi cultivada.

?O zoneamento agrícola do Mapa (Ministério da Agricultura) para o feijão está sendo prejudicado em função da estiagem?, explicou Simioni. A previsão da Seab é que o Paraná plante este ano 348,9 mil hectares de feijão – área 11,7% menor do que a safra do ano passado – e colha 552 mil toneladas. O Estado é o maior produtor nacional de feijão. Simioni lembrou que os produtores de feijão do Paraná já vinham de uma safra prejudicada. ?No ano passado, houve problema de excesso de chuva em dezembro e janeiro, que prejudicou a qualidade?, destacou. Simioni recomenda que os agricultores sigam as orientações da assistência técnica para reduzir possíveis riscos.

Milho

Segundo o técnico-econômico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), Robson Mafioletti, outra preocupação é com relação ao milho. ?Os produtores não estão conseguindo plantar milho por conta da falta de chuva?, apontou. Segundo Mafioletti, o cultivo do milho se concentra em setembro nas regiões norte, oeste e sudeste. Já no centro-sul, o plantio se estende até 15 de outubro. A expectativa, afirmou, é que a frente fria prevista para chegar ao Estado esta semana amenize a situação.