O salário médio do setor de serviços caiu 3,81% em 2005 em relação a 2000, segundo a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta quarta-feira (25). O salário médio é calculado pela divisão da massa salarial do setor pelo número de pessoas ocupadas. O número de pessoas ocupadas no setor de serviços aumentou 28,59% de 2000 para 2005.

Os técnicos do IBGE explicam que o número de pessoas ocupadas cresceu acima da massa salarial, pressionando os salários médios para baixo. "A massa salarial não cresceu no mesmo ritmo da ocupação, há serviços que pagam pouco e empregam muito", afirmam os técnicos. De 2004 para 2005, o salário médio dos serviços teve queda real de 0,5%, enquanto o pessoal ocupado aumentou 9 4%.

De acordo com a pesquisa, houve queda real, entre 2000 e 2005, nos salários médios de serviços de informação (-4,71%), serviços prestados às empresas (-4,65%), transportes (-5,70%), serviços de manutenção e reparação (-9,05%) e outras atividades de serviços (-11,96%). Ainda dentro dos grandes grupos de serviços, os aumentos nos salários médios no período ocorreram em serviços prestados às famílias (4,18%) e atividades imobiliárias e de aluguel de bens móveis e imóveis (10,13%).

A pesquisa do IBGE investiga o setor de serviços apenas no que diz respeito às empresas não financeiras. Não são pesquisadas instituições financeiras, organizações não governamentais (ONGs) ou a administração pública.

De acordo com a pesquisa, o setor de serviços gerou R$ 450,1 bilhões em receita em 2005, com aumento real de 33,05% em relação a 2004. As 948.420 empresas do setor ocuparam 7.582 pessoas naquele ano.

Desconcentração

O setor de serviços repetiu a tendência observada em todos os segmentos produtivos e mostrou desconcentração regional entre 2000 e 2005. A Região Sudeste permaneceu concentrando os serviços, mas reduziu sua fatia no total do País. Em 2000, representava 68,4% da receita bruta de serviços no Brasil e, em 2005, essa participação caiu para 65,7%.

O maior ganho de fatia foi apurado na região Centro-Oeste, de 5 9% em 2000 para 6,8% em 2005. As demais regiões também elevaram as suas representações no total de serviços do País no período: Sul, de 13,8% para 14,6%; Norte de 2,5% para 2,8% e Nordeste, de 9,4% para 10,1%.

Apesar das mudanças regionais, a avaliação dos técnicos do IBGE é que o setor de serviços não apresentou mudanças estruturais significativas entre 2000 e 2005.