O salário mínimo regional, válido para categorias que não têm acordo coletivo de trabalho, pode aumentar 14,9% no Paraná a partir de 1.º de maio, ficando entre R$ 605,52 e R$ 629,65.

A proposta de reajuste foi anunciada, ontem, em Curitiba, pelo secretário estadual de Planejamento, Enio Verri, e deverá ser enviada à Casa Civil ainda hoje, de onde seguirá para a Assembleia Legislativa. O percentual de aumento é ligeiramente menor que o do ano passado, quando foi de 15,27%.

A exemplo dos anos anteriores, a proposta prevê seis pisos diferentes, que variam conforme a categoria. Na justificativa técnica para o reajuste, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) informa que os valores dos pisos são de 30% a 35% superiores ao salário mínimo nacional, de R$ 465. As diferenças – continua o documento – são maiores que as vigentes em 2008.

O presidente do Ipardes, Carlos Manuel dos Santos, explica que os valores levam em conta a variação do salário médio de entrada no mercado de trabalho do Paraná, de 9,1% em 2008 ante 2007 – de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) -, somada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, estimado em 5,8% para o ano passado.

Santos diz que tem boas expectativas de que a proposta, como vem acontecendo desde 2006, quando a medida foi instituída no Estado, seja aprovada sem problemas pela Assembleia.

“Não imagino que algum deputado vá impor restrições a um ganho de salário real ao trabalhador”, afirma, lembrando que, para definir os valores, o Ipardes debateu a questão com a Secretaria de Trabalho e Promoção Social, centrais sindicais e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O presidente do Ipardes ainda argumenta que a medida é uma das formas do Estado enfrentar os efeitos da crise econômica mundial, já que, por ser compatível com as necessidades do trabalhador, garante um aumento no consumo.

Ele compara a variação com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do ano passado em Curitiba, que ficou em torno de 5%, para concluir que o novo mínimo representa um aumento real de salário aos trabalhadores.

Para Santos, o impacto do aumento não será significativo para a grande maioria dos empregadores, pois já retrata a realidade do mercado de trabalho. Ele acredita que nem mesmo as famílias que mantêm empregados domésticos devem sentir a mudança nos valores: “Hoje, em Curitiba, uma diarista ganha cerca de R$ 50 por dia. Em 15 dias de trabalho ela já recebe o equivalente ao mínimo mensal dos empregados domésticos”, avalia.