Foto: Aliocha Maurício/O Estado
Nilson Pohl: retaliação a produtos do Rio Grande do Sul não está afastada.

A partir de hoje, as carnes maturadas e desossadas paranaenses têm entrada e passagem livre garantidas pelo governo de Santa Catarina. No entanto, o Paraná ainda não conseguiu convencer o Rio Grande do Sul de que está livre da febre aftosa. O estado vizinho diz que, pelo menos até o final deste mês, mantém o embargo. Os secretários da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Newton Pohl Ribas, e dos outros dois estados se reuniram esta semana para discutir o reconhecimento da sanidade animal paranaense.

Os resultados dos encontros, dos quais também participaram representantes do Ministério da Agricultura e do Sindicato das Indústrias de Carnes do Paraná (Sindicarne), foram repassados ontem. ?A reunião com Santa Catarina foi positiva. Apresentamos, ao secretário da Agricultura, Antônio Ceron, um relatório técnico de sanidade do Estado e um relatório da comissão de necropsia dos sete rebanhos envolvidos. No início da tarde (ontem) ele ligou e passou a posição de apoio do governo de Santa Catarina, que está assinando uma nova portaria, permitindo a entrada da carne paranaense e liberando os corredores de acesso ao Rio Grande do Sul?, expõe Ribas.

Comemorando a decisão, o secretário lembrou que Santa Catarina, ao contrário dos demais estados, ?é livre de aftosa sem vacinação, há mais de seis anos?. ?Quando Santa Catarina libera nossa carne, está reconhecendo as ações de saneamento que ocorreram no Estado do Paraná. Isso significa para nós um apoio, quando os relatórios serão analisados pela OIE (Organização Internacional Epizootias), em março ou fevereiro?, afirma o paranaense.

Em relação ao Rio Grande do Sul, o entusiasmo não era o mesmo. Segundo Ribas, o secretário da Agricultura daquele estado, Celso Bernardi, como interino, apenas deixou claro que não tomaria nenhuma medida antes da chegada do novo secretário – no dia 22 -e sinalizou que vai encaminhar a solicitação. ?No dia 23 estou lá para voltar a conversar. O Paraná está saneado desde o dia 19 de outubro. Estamos esgotando as vias administrativas, o passo seguinte será exigir a reciprocidade ao embargo do Rio Grande do Sul. Não há base legal e técnica para continuar mantendo esse embargo?, reclama.

Quem mais criticou a falta de resposta positiva do Rio Grande do Sul foi o presidente do Sindicarne, Péricles Salazar. Segundo ele, a postura da Secretaria de Agricultura estaria sob influência do presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, por questões econômicas. ?O preço médio do boi no País está a R$ 53, R$ 54 a arroba. Lá eles estão vendendo a R$ 63. O que eles pretendem, ao manter o embargo, é fazer uma reserva, proteção de mercado. Eles querem recuperar o prejuízo que tiveram em 2000 e 2001?, afirma.

Ainda segundo Salazar, Santa Catarina é o segundo maior mercado de carne do Paraná, representando R$ 25 milhões ao mês. Portanto a perda, durante os quase 15 meses de embargo, chega a R$ 375 milhões. Já o Rio Grande do Sul é o terceiro mercado, responsável por R$ 16 milhões ao mês. Se este mantiver fechado o estado para a carne paranaense, as perdas podem ultrapassar os R$ 240 milhões. ?Isso prejudica não apenas os frigoríficos, mas também o criador e toda a economia do Estado?, conclui.

Rio Grande do Sul

Como divulgado pela agência de notícias do governo do Rio Grande do Sul, ?o secretário da Agricultura e Abastecimento garantiu que pelo menos até a primeira semana de fevereiro o estado manterá a proibição de ingresso em território gaúcho de carne com osso e de gado em pé oriundos de outras regiões do País?. Sobre a participação do presidente da Farsul, o texto traz ainda que este ?defendeu a manutenção das restrições? e justificou que ?amargamos um embargo por cinco anos em conseqüência de focos de febre aftosa registrados em 2000 e 2001, quando não podíamos mandar carne para Santa Catarina nem para o Uruguai, por isso agora temos de nos proteger?.