O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, previu que a manutenção do superávit primário no nível atual – 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) – e a tendência de queda que vem se verificando nas taxas de juros dos títulos emitidos pelo Tesouro levarão a uma redução da relação dívida/PIB.

Em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento, no Congresso, Augustin informou que a projeção do governo para esse indicador é de que a dívida chegue, em 2010, a 35,90% do PIB. Atualmente, está na casa dos 44%.

Questionado sobre se a definição da meta de inflação em 4,5% afetaria negativamente o processo de redução das taxas de juros, Augustin tangenciou o assunto dizendo que a questão da meta está relacionada à política monetária e voltou a afirmar que o que se tem verificado é uma tendência de queda nos juros pagos pelo Tesouro e que o órgão vai continuar trabalhando para manter essa direção.

Na sua exposição a deputados e senadores, Augustin mostrou que, cada vez mais, a dívida pública tem uma composição mais saudável implicando menores riscos fiscais. O secretário mostrou tabela em que o Tesouro simula situações de estresse no mercado e, em comparação com 2002 – quando a dívida estava muito sensível a variações nos juros e no câmbio – essa sensibilidade diminuiu significativamente.

Em choques extremos (simulados) na taxa de juros e no câmbio, a dívida subiria 22,2% em 2002. Agora, em 2007, em choques semelhantes, a dívida subiria apenas 4,7%. Augustin destacou ainda que, hoje, o Brasil tem reservas internacionais que superam significativamente a dívida pública externa.