Belo Horizonte (AE) – Os secretários de Agricultura de 14 estados se reunirão hoje, em Belo Horizonte, para discutir a atual situação de controle da febre aftosa no País, depois do surgimento de novos focos da doença na fronteira do Brasil com a Bolívia. Na semana passada, o Ministério da Agricultura também admitiu a persistência de circulação viral em três municípios do Mato Grosso do Sul, que estão interditados desde outubro de 2005, quando foram diagnosticados casos de febre aftosa no extremo sul do Estado.

Na reunião, que será realizada às 14h, no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), os secretários discutirão propostas de uma ação articulada entre os estados e o governo federal, para ajudar a implantar um sistema de vigilância e defesa sanitária nas fronteiras brasileiras de acordo com as exigências da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O encontro terá a participação dos secretários de Agricultura de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Tocantins, Paraná e Rondônia.

A pauta da reunião também deverá incluir a reivindicação ao governo federal de aumento nos investimentos em serviços de vigilância e defesa sanitária animal, que vêm sendo considerados insuficientes para atender a estruturação dos serviços coordenados pelo Ministério da Agricultura e executados em parceria com os estados.

Área de proteção

Os municípios de Eldorado, Mundo Novo e Japorã, no Mato Grosso do Sul, farão parte de uma Área de Proteção e Vigilância Epidemiológica, o que significa que haverá controle rigoroso do trânsito de animais e carnes no local. A informação é da assessoria de imprensa da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso do Sul (Famasul). A criação dessa área substitui a proposta divulgada na última sexta-feira pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Alves Maciel, de criação de uma zona tampão entre os municípios do Mato Grosso do Sul que fazem fronteira com o Paraguai.

Antes de viajar para Campo Grande para discutir o assunto, o secretário garantiu que a zona tampão seria criada. Mas durante reunião no sábado, ele teria sido informado da resistência dos demais países da região em aceitar a criação do corredor sanitário, contou uma fonte ligada ao assunto. Diante da resistência, o ministério foi obrigado a recuar da idéia original. Até o momento, o secretário não esclareceu o que significa a criação da área, mas uma fonte do governo comentou que a diferença é que o controle de trânsito será feito só do lado brasileiro. Com a zona tampão, o controle seria feito dos dois lados da fronteira.