A relação dívida pública/PIB deve ficar abaixo dos 35% já em 2010, acredita a assessora da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ana Claudia Alem. Segundo a publicação Visão do Desenvolvimento, distribuída pelo banco e assinada pela assessora, a revisão da metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) implementada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março deste ano teve impacto sobre esse indicador e o "aumento do denominador" contribui ainda mais para a tendência de redução que já vem sendo observada desde 2003.

Ana Claudia lembra que os altos superávits primários, combinados com a retomada da trajetória de crescimento, foram os principais fatores explicativos da "significativa redução" dívida pública/PIB nos últimos anos, de 52,4% em 2003 para 44,9% no final de 2006. Ela cita também a apreciação do real em relação ao dólar e a queda da participação dos títulos indexados ao dólar no total do endividamento público como outros fatores que influenciaram na redução.

Para os próximos anos, de acordo com Ana Claudia, quanto menor o juro real, maior o crescimento da economia e maior o superávit primário, maior também será o recuo da relação da dívida pública sobre o PIB. Segundo ela, está claro que a redução do endividamento como proporção do PIB não depende apenas do aumento do superávit primário, mas também de uma baixa mais acelerada da taxa real dos juros e uma aceleração mais forte do crescimento.

A assessora da presidência do BNDES desenha três cenários: no "pessimista", em 2008 haveria o déficit nominal zero e a relação dívida/PIB seria de 39,58%, caindo para 32,49% do PIB já em 2010. Neste caso, o aumento do PIB seria de 4,5% nos próximos quatro anos, incluindo 2007. Numa dimensão "realista", em 2009 haveria um pequeno superávit nominal de 0,29% do PIB e, em 2010, a relação dívida/PIB seria de 33,80%. O PIB, nesta simulação, cresceria 4,5% em 2007 e 5,0% de 2008 a 2010. Por fim, o cenário "otimista" conta com queda mais rápida dos juros e avanço mais vigoroso do PIB e, em 2010, a relação já seria de 32%, com a expansão do PIB chegando a 6,50%. O otimismo leva em conta PIB de 5,0% em 2007; 5,5% em 2008; 6,0% em 2009 e, finalmente, 6,5% em 2010.

Ana Claudia conclui que "independente de hipóteses um pouco mais otimistas ou pessimistas, o "problema" fiscal está muito próximo de ser equacionado. O déficit nominal poderá ser zerado em uma questão de um a dois anos. A relação dívida pública líquida/PIB, por sua vez, poderá ficar abaixo dos 35% já em 2010".