O diretor de infra-estrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Wagner Bittencourt de Oliveira, disse que as novas condições financeiras para projetos de investimento em geração e transmissão de energia elétrica, anunciadas nesta segunda-feira (25) pelo banco, "deverão ter impacto significativo não apenas nos investimentos, mas também nas tarifas" do setor elétrico.

Ele concedeu uma rápida entrevista após palestra no seminário "o desafio da energia", realizado hoje na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Ele avalia que as ampliações de prazos de amortização de financiamentos e a redução do nível de exigência do Índice Mínimo de Cobertura do Serviço da Dívida (ICSD) poderão reduzir as tarifas ao consumidor a serem definidas pelos participantes dos leilões de energia. As novas medidas já serão válidas para o leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) do próximo dia 10 de julho.

Na palestra, Bittencourt de Oliveira explicou que, de 2003 a maio de 2007, o BNDES aprovou financiamentos totais no valor de R$ 17,6 bilhões para projetos de energia elétrica, para viabilizar investimentos totais de R$ 32,2 bilhões. A maior parte dos financiamentos é para geração (R$ 10,79 bilhões).

Ainda segundo o diretor, do total de 31.156 MW de expansão hidrelétrica previstos no Plano Decenal, já foram aprovados pelo BNDES financiamentos para geração de 4.539 MW e estão em análise o equivalente a 3.792 MW. Ele explicou que em 2006, primeiro ano de vigência do Plano, o BNDES havia aprovado o equivalente a 15% do total de projetos com fonte hídrica do banco. Em 2007, há perspectiva de encerrar o ano com 27% do Plano Decenal aprovado e, "caso o projeto Madeira seja exitoso este ano", o porcentual de aprovação do banco subirá para 37% do Plano.

O diretor do BNDES disse que, no caso do projeto das usinas do Madeira, ainda não foi encaminhada cartas-consulta para financiamento do banco, já que isso depende da realização anterior de leilão, mas garantiu que, como os técnicos da instituição conhecem a fundo o projeto, a aprovação do financiamento poderá ocorrer rapidamente após uma possível solicitação dos investidores. O BNDES poderá participar com um máximo de 85% de financiamento do Madeira e, segundo o diretor, "assim como em qualquer empreendimento", também poderá vir a ser sócio do projeto.