O crescimento da agroindústria no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2006, de 4,6%, é o maior dos anos 2000 e possivelmente é o maior desde um período ainda maior, de acordo com o economista do IBGE, Fernando Abritta.

O resultado foi composto de um crescimento de 2,3% nos produtos industriais derivados da agricultura; de 4,9% da produção ligada à pecuária, da expansão de 9,9% do segmento de inseticidas, herbicidas e outros defensivos para uso agropecuário e da queda de -1,3% no de madeira.

Abritta comentou que a expectativa a partir do levantamento sistemático da safra agrícola, também feito pelo IBGE, é de safra recorde este ano e que o forte crescimento, principalmente das máquinas e equipamentos para agricultura, de (31,5%), é influenciado também pela base baixa de comparação do primeiro semestre do ano passado. "Os investimentos em máquinas e equipamentos dependem do crescimento da renda agrícola e o setor passou por uma recessão entre 2004 e 2006, por problemas climáticos, preços em baixa, aftosa e gripe aviária", comentou.

Agora, a situação é diferente. A produção industrial de soja se expandiu 10,6% no primeiro semestre, e a de milho, 12,9% no mesmo período. São as duas principais culturas brasileiras em área plantada, de acordo com Abritta, e estão sendo estimuladas pela alta dos preços internacionais dos dois produtos, reflexo da redução de oferta dos dois produtos nos Estados Unidos, onde o interesse pelo etanol, lá feito de milho, está fazendo agricultores trocarem o cultivo de soja pelo milho, que tem sua oferta para alimentação diminuída diante do uso para etanol.

Cana-de-açúcar

Já a produção industrial de cana-de-açúcar teve aumento de apenas 0,4% no primeiro semestre, sendo que no primeiro trimestre, houve expansão de 19,5% sobre o mesmo período de 2006 e no segundo trimestre, a produção caiu -1,5% em relação a abril maio e junho do ano passado.

Laranja

A produção industrial baseada na laranja, principalmente para suco, cresceu 39,9% no semestre, beneficiada, segundo Abritta, pela quebra de safra na Flórida, região que é a principal produtora de laranja nos Estados Unidos.

Houve queda de -1,5% na indústria de celulose e de -4,5% na de produtos ligados ao trigo, matéria prima de alimentos como pão e massas. A produção de arroz cresceu 1,5% e o fumo, 0,9% . A produção de adubos e fertilizantes se ampliou 14,2%.

Pecuária

Na pecuária, Abritta lembrou que a demanda internacional está aumentando inclusive devido ao crescimento de países como China e Índia. Os indianos, que consideram a vaca um animal sagrado e não comem carne, estão aumentando as importações de aves, segundo Abritta. A produção industrial de aves cresceu 11,2% no semestre, enquanto a de bovinos, suínos e outras reses aumentou 6,2%.

Já a produção de leite caiu -7,5%. A de couros, peles e produtos similares AE ampliou 4,1%. A produção de rações e suplementos vitamínicos se expandiu 6,2% e os produtos veterinários aumentaram 7,5%.