A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) desacelerou para 0,49% em setembro. No mês anterior, o mesmo indicador apurou alta de 0,79%. Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Das 11 regiões metropolitanas que fazem parte da pesquisa, o maior índice em agosto foi verificado em Curitiba (1,08%) em razão da alta nos preços dos automóveis novos (2,05%), da gasolina (4,84%) e do álcool combustível (15,12%). Já a menor variação ocorreu em Salvador (0,17%). No Rio de Janeiro, o indicador registrou alta de 0,57%. Em São Paulo, a inflação ficou em 0,37%.

O instituto atribui o recuo na taxa ao fim dos impactos provenientes dos aumentos nas tarifas de energia elétrica e de ônibus urbano. Além disso, a redução na taxa de crescimento da conta de telefone fixo e de produtos alimentícios também contribuiu para segurar os preços. Em agosto, o indicador foi pressionado pela alta de 3,58% na energia elétrica e de 1,22% na tarifa de ônibus.

Apesar do reajuste no item telefone fixo em 1.º de setembro, o resultado foi mais baixo que o do mês anterior. Ele passou de uma alta de 3,55% para 1,51%. Em agosto, a valorização da cana-de-açúcar com o aumento das exportações pressionou o índice. O álcool combustível registrou alta de 6,39%. Em setembro, este impacto se confirma com um aumento de 8%.

A gasolina continua a influenciar o índice com o aumento do álcool. Depois de subir 0,28% no IPCA-15 de agosto, os reajustes aceleraram a alta para 1,16%. O último reajuste das distribuidoras foi de 10,8% no dia 15 de junho.

No grupo Alimentação, o impacto da alta da cana-de-açúcar pode ser verificado no aumento do açúcar refinado, que ficou 14,21% mais caro, depois de subir 9,38% no mês anterior. O açúcar cristal passou de 3,45% em agosto para 5,69% em setembro.

Alguns alimentos que fazem parte da cesta básica registraram quedas expressivas em setembro. O grupo Alimentação passou de uma alta de 0,58% em agosto para 0,42% em setembro. O feijão carioca caiu 9,14%, o arroz ficou 4,71% mais barato, o óleo de soja recuou 2,85% e o tomate, 2,71%.

O IPCA do terceiro trimestre apurou alta de 2,23%. Ele é formado pelo IPCA-15 acumulado de julho, agosto e setembro. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 5,63%. Em 12 meses, a variação acumulada é de 7%.

Metas de inflação

O IPCA-15 é um indicador que antecipa a tendência da inflação oficial do governo – medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O dois indicadores diferem somente no que diz respeito ao período de coleta dos preços.

O IPCA é calculado com base em preços apurados durante todo o mês de referência, enquanto o IPCA-15 tem seus preços coletados entre a segunda quinzena do mês anterior e a primeira quinzena do mês de referência.

Os dois índices apuram a inflação para as famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrangem as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.

A meta de inflação fixada pelo governo para 2004 é de 5,5%, com a possibilidade de oscilar 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Para 2005 e 2006, as metas de inflação foram estipuladas em 4,5%. No entanto, em 2005 a taxa pode atingir o teto de 7% e, em 2006, não pode superar os 6,5%.