Os efeitos da queda da tarifa de energia elétrica residencial no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foram ainda maiores na segunda quadrissemana de março, respondendo por boa parte do declínio de 0,11% do indicador no período. A avaliação foi feita nesta terça-feira pelo coordenador do IPC, Rafael Costa Lima. “Se o item energia elétrica tivesse tido variação zero, o IPC seria de 0,37% na segunda quadrissemana”, disse, ao comentar a inflação em São Paulo, acrescentando que os preços também começaram a sentir os primeiros efeitos da desoneração da cesta básica. Após subir 0,06% na primeira quadrissemana, o IPC já entraria em terreno negativo nesta segunda leitura na avaliação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que, no entanto, esperava diminuição menor, de 0,08%. O item tarifa de energia recuou 11,81% e deverá ceder mais nas próximas apurações.

“O pico será na terceira quadrissemana. No fechamento do mês, o impacto será parecido com o de agora”, avaliou. Nas contas da Fipe, o item deve mostrar baixa de 12,75% na terceira apuração do mês e, a partir de então, o efeito será cada vez menor até desaparecer, na primeira quadrissemana de maio.

A aceleração da redução da contra de energia foi fundamental para levar o grupo Habitação a ampliar a deflação, de -0,69% para -1,11%, entre a primeira e a segunda medição, e já estava nas contas da fundação. Contudo, outros movimentos dentro do grupo surpreenderam, como a desaceleração da alta do aluguel (0,68% para 0,45%).

Ainda em Habitação, o coordenador do IPC chamou a atenção para a trajetória de Mobiliário e Decoração (1,57% para 1,76%), refletindo a recomposição da cobrança da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para móveis. “Por outro lado, equipamentos eletroeletrônicos estão em queda (-2,52%). Aparentemente, estes itens não encontraram espaço para reajuste”, afirmou.