Os quase 190 funcionários da fábrica de botões Diamantina Fossanese, localizada na Cidade Industrial de Curitiba, querem assumir a direção da empresa e transformá-la em cooperativa. Amanhã completa dez dias que os trabalhadores estão acampados na fábrica e não há previsão de quando devem deixar o local. Também há dez dias a produção parou. Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Vestuário de Curitiba e Região Metropolitana (Sintravest), Regina de Cássia Guimarães, na última quarta-feira o diretor-geral da Diamantina, Felipe Casseb, esteve no local acompanhado de dois oficiais de Justiça e cinco seguranças armados, portando documento de reintegração de posse. Os funcionários não aceitaram a notificação.

“A briga é pelos atrasos. Estamos sem receber o 13.º salário de 2003, parte do salário de dezembro, férias, salário de março. A empresa está devendo ainda dez cestas básicas por funcionário. Sem contar que nem o INSS nem o FGTS são recolhidos”, afirmou. Segundo ela, a direção da empresa havia se comprometido a conversar com os funcionários na última segunda-feira, o que não aconteceu. “Já que a empresa não se manifestou, resolvemos ocupar a fábrica.”

De acordo com Regina, a situação financeira da Diamantina Fossanese começou a ruir em 1997. Mas foi há cerca de três anos que piorou. Segundo ela, funcionária da empresa há 16 anos, o faturamento mensal da fábrica gira em torno de R$ 500 mil. “Onde vai parar o dinheiro? A gente não vê.” Segundo ela, a empresa conta com cerca de 30 denúncias no Ministério Público do Trabalho. A fábrica foi fundada em São Paulo, em 1962, e em 1975 foi transferida para Curitiba.

A reportagem tentou contato com o diretor-geral Felipe Casseb. A informação na empresa foi de que Casseb não estaria mais no comando da Diamantina Fossanese.