Endividado pela antecipação de compras provocada pelos incentivos fiscais do governo, o consumidor brasileiro vai frear a busca por crédito para a aquisição de bens no primeiro semestre. É o que mostra o Indicador Serasa Experian de Perspectiva de Crédito ao Consumidor, divulgado hoje.

O índice, que antevê o comportamento do crédito, recuou 1,2% em dezembro, para 103,9. Foi a terceira queda mensal consecutiva, o que sinaliza que os empréstimos às pessoas físicas devem desacelerar até junho, especialmente ao longo do segundo trimestre. De acordo com a Serasa, além do endividamento dos consumidores, o fim dos estímulos fiscais, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da linha branca e automóveis, a expectativa de elevação da taxa Selic (juro básico da economia) e a valorização do dólar estão entre os fatores que devem reduzir a busca por crédito. A empresa diz, no entanto, que o fato de o indicador permanecer acima de 100 indica que a desaceleração deve ocorrer de forma gradual.

No caso das empresas, o indicador também recuou em dezembro: -0,6%, para 99,6. O valor tem oscilado ao redor de 100 desde o segundo semestre de 2009, o que indica normalização nas condições do crédito corporativo, segundo a Serasa. O fato de não ter rompido aquele nível, contudo, indica que a demanda das empresas tem sido suprida pelos chamados recursos direcionados (montante que os bancos são obrigados a destinar para a concessão de crédito de setores específicos), especialmente por meio de repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo dados do Banco Central (BC), citados pelo Serasa, os repasses do BNDES cresceram 20,5% em 2009, ao passo que as operações com recursos livres avançaram apenas 1,2% no ano passado.