O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro Neto, disse que seria “um exercício imprudente fazer um prognóstico” sobre o desempenho da balança comercial esse ano e traçar uma meta de exportação.

Segundo ele, o MDIC poderá fazer essa avaliação “mais adiante”. “Mas tenho razões para acreditar que teremos um desempenho melhor esse ano”, disse nesta quarta-feira, 7.

O ministro afirmou que o câmbio mais favorável, a retomada do crescimentos dos EUA, que já foi uma locomotiva internacional, e déficit menor da chamada conta-petróleo devem resultar em uma balança comercial melhor em 2015.

A conta-petróleo teve desempenho negativo de US$ 20 bilhões em 2013 e de US$ 16 bilhões em 2014. “Nessa conta, teremos seguramente um resultado muito menos desfavorável para o Brasil por causa do preço (do petróleo)”, afirmou.

Ele espera que a safra agrícola maior também deve elevar o volume exportado de forma a compensar a queda nos preços das commodities. Segundo o ministro, a Vale deve exportar mais minério de ferro esse ano mesmo com a redução dos preços.

Monteiro Neto também evitou se comparar com o ex-ministro Luiz Fernando Furlan, do governo Lula, que ficou conhecido como caixeiro viajante por conta das várias missões comerciais que liderou.

“Eu jamais serei o caixeiro viajante da qualidade do ministro Furlan. O ministério tem que ser um time, uma equipe. Acho que um ministro só não pode fazer tudo sozinho, mas temos que construir uma plataforma adequada”, afirmou.

Câmbio

Em entrevista coletiva, Monteiro Neto afirmou que há um movimento de apreciação do dólar e desvalorização de outras moedas. Na visão dele, com as mudanças de política monetária nos EUA e diante das perspectivas globais, “temos no horizonte uma perspectiva de que o câmbio flutue mais nos próximos anos”. “Acho que sem artificialismo, por conta da mudança monetária nos EUA, vai haver flutuação cambial”, afirmou.

Financiamento das exportações

Monteiro Neto, evitou dar detalhes sobre o plano nacional de exportação, que ele adiantou que irá anunciar nos próximos dias. Ele afirmou, entretanto, que é necessário melhorar o financiamento das exportações e sugeriu, ainda, um ajuste no Reintegra, que teria pequeno impacto fiscal. “Vamos fazer o plano e apresentar a outras áreas do governo. Eu não posso sair por aí dizendo que vou fazer tudo”, afirmou.

Monteiro afirmou que irá, num prazo curto, delinear um plano consistente, com medidas que devem incluir questões relacionadas ao financiamento. “Temos que melhorar (questão do financiamento), porque com os instrumentos existentes, mesmo com avanço com fundos garantidores, temos problemas com garantia, seguro, e risco político em algumas áreas”.

O novo ministro reconheceu que a tributação é “a área mais sensível” e citou possíveis ajustes no Reintegra. “Se conseguirmos, por exemplo, tornar o Reintegra um instrumento mais operacional e, fazendo ajustes na calibragem do reintegra, podemos com um pequeno impacto fiscal fazer algo relevante para esse projeto de ampliação das exportações”. Ele citou, ainda, questões de simplificação, despacho aduaneiro e tempo de trânsito.