A inflação de serviços – como alimentação fora de casa, empregado doméstico, cabeleireiro, entre outros – é o fator que ganhou maior relevância para explicar o comportamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos anos. Essa é a conclusão de levantamento obtido pelo Grupo Estado, elaborado por economistas do governo e que analisa o comportamento do índice oficial de inflação desde 2000.

O estudo está sendo usado dentro do governo para mostrar que a política de juros pode não ser tão eficiente para combater a inflação porque sua principal determinante estaria mais sujeita a fatores alheios à taxa Selic, como a política de elevação do salário mínimo.

O material constata que os preços administrados e monitorados (como energia e telefonia) e os bens comercializáveis (como roupas e alimentos) que no início da década eram os principais motores da inflação brasileira, nos últimos quatro anos têm rodado em média abaixo do IPCA cheio e da meta de 4,5%. Enquanto isso, os serviços – chamados no jargão de “não comercializáveis” – têm oscilado a maior parte do tempo acima de 6%, nível superior ao IPCA e à meta.

Olhando-se apenas a inflação dos últimos 12 meses encerrados em maio, o estudo destaca que os três principais itens que levaram o IPCA para níveis além da meta foram restaurantes e bares, despesas pessoais e educação. Nesse período, o índice oficial acumulou alta de 5,23%, acima, portanto, do centro da meta. Os três itens do segmento de não comercializáveis responderam, juntos, por 76,8% do desvio da inflação da meta.

Em junho (o IPCA do mês foi divulgado anteontem, depois que o estudo estava pronto), o quadro não muda. Com a inflação zero no mês, o resultado em 12 meses ficou em 4,84%. O item alimentação fora de casa, por exemplo, teve, no período, alta de 9,53%. Segundo fonte que elaborou o estudo, se esse item tivesse subido 4,5%, o IPCA em 12 meses teria sido de 4,35%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.