A alta menor da receita bruta de serviços no mês de janeiro, informada nesta terça-feira, 17, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reflete as principais condicionantes de demanda e mercado de trabalho mais fracos, além do crédito mais caro e o nível de confiança dos consumidores e empresários baixos, avaliou o economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria Integrada. “Tem um movimento de desaceleração em serviços e, quando deflacionamos, o resultado migra para uma queda. É intensificação do processo de recuo da receita em termos reais”, analisou.

De acordo com o IBGE, a receita bruta nominal de serviços subiu 1,6% no primeiro mês deste ano ante janeiro de 2014. Conforme o IBGE, o resultado é pior da série histórica iniciada em 2012. Em dezembro a alta fora de 4,2%. Segundo cálculos de Bacciotti, a alta de 1,6%, quando descontada a inflação, resulta em uma retração de 6,6% em janeiro, na comparação com declínio de 4%. Em sua avaliação, a piora da receita já reflete a situação ruim da indústria, que deixa de contratar determinados serviços. Ele citou como exemplo a retração de 2,5% na receita bruta nominal de serviços de informação e comunicação em janeiro ante igual mês de 2014.

“Parece ser efeito de um quadro bem ruim da atividade industrial afetando serviços, setor que mais emprega na economia, responsável por mais de 60% do PIB (o Produto Interno Bruto). Há claro processo de fechamento de vagas no setor industrial e na construção. Em serviços, de certa forma, conseguiu sustentar, mas já deve começar a perceber os efeitos de desaquecimento do mercado de trabalho”, afirmou.

Com sinais de enfraquecimento também na atividade de serviços à frente, a expectativa do economista da Tendências é de que o PIB do primeiro trimestre registre queda de 1%, após estimativa de recuo de 0,1% para o resultado do último trimestre de 2014.

Avaliação parecida do recuo fez o diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fábio Silveira, para quem o resultado desastroso do setor de serviços em janeiro reflexo do enfraquecimento do setor industrial e das exportações iniciado há mais de um ano. “O setor de serviços não é independente do resto da economia”, afirmou. “A queda de renda e o desemprego do setor industrial e o enfraquecimento da atividade exportadora começam a propagar seus efeitos para o comércio e serviços”, disse.

Silveira diz que a perspectiva para o setor de serviços é ruim. Um dos motivos é a desaceleração dos investimentos, promovida tanto pelo setor público, com o ajuste fiscal em curso, quanto pelo setor privado, a reboque do escândalo na Petrobras, da paralisação das empresas envolvidas na Operação Lava Jato e da quebra de confiança do empresariado.

Os juros altos que debilitam o crédito, a perda de força no crescimento real da massa salarial e o aumento do desemprego continuarão presentes na economia neste ano e, portanto, influenciando negativamente a demanda por serviços, diz ele. Silveira lembra que, em um país da dimensão do Brasil, o setor de serviços necessita da demanda gerada pelo setor industrial para crescer. “O setor de serviços no Brasil não é gerador (de demanda) por si só”.