Os servidores públicos federais devem mesmo entrar em greve na segunda quinzena de junho, caso o projeto da reforma da Previdência Social encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional não seja modificado.

Ontem, servidores municipais, estaduais e federais se reuniram no Teatro da Reitoria, em Curitiba, para discutir a reforma. De lá, a idéia era seguir para o Centro de Convenções com faixas e cartazes para protestar durante a visita do presidente do PT, José Genoíno, a Curitiba.

De acordo com Milena Martinez, da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), cada entidade vai fazer assembléia separadamente para decidir se adere ou não à greve. No caso da UFPR, já foi votado o indicativo de greve, assim como no Cefet-PR.

Os servidores da Receita Federal (Unafisco Sindical) decidiram, durante assembléia na quinta-feira, pela retirada total do projeto da reforma da Previdência e não apenas retirada de alguns itens. Segundo o presidente da regional Paraná, Norberto Sampaio, a categoria vai parar 48 horas nos dias 3 e 4 de junho. Nova paralisação deverá ocorrer nos dias 11 e 12, e greve por tempo indeterminado a partir do dia 18 de junho. No Paraná, há cerca de 220 servidores ativos da Receita Federal. Sampaio entende que a reforma tributária é mais urgente do que da Previdência Social.

Redutor salarial

O deputado federal Florisvaldo Fier, Dr. Rosinha (PT-PR), foi o único parlamentar a participar da plenária dos servidores ontem, embora vários outros tenham sido convidados. Para o parlamentar, a reforma deve sofrer mudanças antes de ser aprovada. “Dentro da bancada dos trabalhadores, há muita gente querendo alterações e poucos dizendo que a reforma é boa como está”, comentou.

Segundo ele, o item mais grave é o que diz respeito à maneira como deverá ser calculada a aposentadoria, com base na média da contribuição durante toda a vida contributiva. “É um redutor salarial. Funcionário público de carreira que hoje ganha R$ 7 mil vai se aposentar ganhando R$ 2,2 mil, dependendo o tempo de carreira. E se morrer, a pensionista ainda vai ganhar 30% menos”, criticou. Outro agravante, segundo ele, é a dilação na idade mínima para se aposentar. “A emenda apresentada é dos governadores do PFL, PSDB, PMDB, e por isso é voltada à questão fiscal e não previdenciária. Está claro isso”, acrescentou.