São Bernardo do Campo – O presidente da Volkswagen do Brasil, Paul Fleming, afirma que a indústria vive a pior situação na história, mesmo se comparada há dez anos, quando não havia a atual capacidade instalada. Segundo o executivo, a Volkswagen vai continuar a dar férias coletivas até que o mercado se recupere. “Não é a opção mais barata, porém a mais fácil”, disse Fleming.

Ele admitiu que a empresa avalia todas as semanas as possibilidades de cortar custos fixos, o que inclui redução de pessoal. Ele enfatizou, no entanto, que a montadora não cogita demitir e que qualquer decisão será negociada com os sindicatos, embora a companhia esteja perdendo “enormes volumes de dinheiro”.

Em encontro na semana passada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, o executivo afirma ter discutido a situação da indústria automobilística, que trabalha com ociosidade média de 45% nas fábricas. Segundo Fleming, não há qualquer decis ão a respeito de um plano para melhorar as vendas de automóveis e tampouco sobre a redução de impostos.

Segundo ele, há um desejo do governo de criar um programa para a renovação da frota, no entanto, sem evolução até o momento.

Sobre a possibilidade de o governo reduzir os juros e adotar uma política de crescimento, acredita que os “sinais são bons. Mas precisamos de uma ação rápida, porque a indústria sofre há mais seis meses”.

Estratégia

De acordo com Fleming, a Volkswagen espera que o governo faça seu papel. “Não queremos caridade, somos homens de negócios”. Enquanto isso, diante do mercado recessivo a Volkswagen trabalha com quatro estratégias. A primeira delas é estimular as vendas por meio de uma fina sintonia com as concessionárias. Em seguida, melhorar a margem de lucro, discutindo alternativas com fornecedores; bem como estimular a excelência operacional através da logística e, por fim, analisar semanalmente os custos fixos.

A novidade fica por conta do motor TotalFlex, que irá substituir o motor a álcool nos próximos três anos. Segundo ele, a montadora e o governo têm interesse de exportar o modelo bicombustível para a China e países emergentes. O objetivo é estimular, com isso, a produção de álcool no Brasil.

Volks produziu último Fusca da história

No mesmo dia – ontem -em que comemorou a produção do Gol número 4 milhões no Brasil, a Volkswagen mundial também encerrou a fabricação do antigo Fusca. Imortalizado em canções, símbolo de uma era, conhecido como o “carro do povo” e consumido por multidões, o antigo Fusca foi durante muitos anos o modelo mais vendido da Volkswagen.

No entanto, após quase 70 anos de existência, o modelo, apesar de continuar charmoso, perdeu competitividade para continuar no mercado. Por isso, a Volks produziu ontem a última unidade do Fusca em sua fábrica no México, a única que ainda o fabrica. Essa “relíquia” ficará em exibição no museu da Volkswagen, em Wolfsburg (Alemanha).

O primeiro Fusca foi desenvolvido a pedido do ditador nazista Adolf Hitler, morto em 1945, e utilizado durante a Segunda Guerra Mundial. Ainda em 1924, na prisão, Hitler idealizou um carro barato que pudesse ser consumido pelas famílias alemãs e justificasse a construção de estradas por todo o país.

No entanto, apenas em 1934, quando Hitler já estava no poder, começaram os trabalhos do desenho do carro. A produção efetiva, só veio em 1938. A grande maioria dos primeiros carros fabricados tiveram uso militar.

Após a Segunda Guerra, o modelo começou a ser produzido e exportado pela Volkswagen. Pela sua durabilidade e preço baixo, o Fusca logo se popularizou e virou símbolo da recuperação da economia alemã no pós-guerra.

Sua posição no mercado nas décadas seguintes seria impressionante. Até que o modelo começou a ficar ultrapassado na década de 80. Com o avanço de outros carros, a Volks lançou em 1998 um novo Fusca, chamado de “New Beetle”. No entanto, os preços do automóvel (cerca de US$ 20 mil) impediram que a nova versão obtivesse sucesso comparável ao de seu antecessor.

Gol

A Volkswagen, que produziu ontem no Brasil o Gol número 4 milhões, promete que esse modelo não terá o mesmo destino do Fusca. O Gol deverá permanecer nas linhas de montagem da empresa pelo menos por mais 10 anos, segundo o presidente da Volks do Brasil, Paul Fleming.

O Gol é fabricado no Brasil desde 1980 e lidera as vendas no mercado há 17 anos. O carro, que foi desenvolvido no Brasil, também é exportado para 20 países. No México e na Argentina, o modelo também lidera as vendas.

Com os 4 milhões de unidades, o Gol bate o próprio Fusca, que teve 3,1 milhões de veículos fabricados no Brasil.