Divulgação
Financiamentos de longo prazo deram oportunidade para a
compra do carro novo.

Poucos setores da economia têm tanto a comemorar 2007 como o automotivo. ?Dificilmente, as vendas vão crescer tanto como cresceram no ano que passou?, apontou o diretor-geral da Federação Nacional da Distribuição de Veículos – seccional Paraná (Fenabrave-PR), Luís Antonio Sebben. Entre janeiro e novembro de 2007, 305.758 veículos foram vendidos no Estado – 30,15% mais do que os comercializados no mesmo período do ano anterior. Em nível nacional, foram 2,9 milhões de unidades vendidas em 2006 contra 3,8 milhões em 2007, ou seja, crescimento de 30,37%.

O ótimo desempenho surpreendeu até mesmo o setor. ?Esperávamos um crescimento de 16% ou 18% em 2007. Mas experimentamos um momento bem especial na economia mundial e, sem fazer grandes esforços, o Brasil acompanhou esta evolução?, avaliou Sebben. A maior oferta de recursos para financiamento e o aumento de prazo também foram fatores decisivos na alavancagem de vendas. ?Nosso segmento é um dos que oferecem um dos menores riscos, porque o próprio bem é a garantia de pagamento. Além disso, é um produto de alta liquidez que, se retornar para o agente financeiro, é rapidamente comercializado?, apontou.

A taxa de juros – que varia entre 1,15% e 1,30% ao mês (14,7% a 16,8% ao ano) – é outro fator que está aquecendo o mercado de veículos. Segundo Sebben, 75% dos veículos vendidos são financiados, com prazo médio de 50 meses. ?Há concessionárias que oferecem prazo até 84 meses?, lembrou. Com tantas facilidades, será que o consumidor está conseguindo honrar os pagamentos? ?O índice de inadimplência fica restrito aos agentes financeiros. Mas eu acredito que não seja elevado; se fosse, afetaria o nível de oferta de financiamento?, apontou.

As facilidades e as novidades estão fazendo também com que o consumidor troque de veículo em menor espaço de tempo. ?Se antes o paranaense ficava com o carro entre quatro e cinco anos, agora ele fica dois ou três?, comentou, acrescentando que a cada novo zero quilômetro no mercado, quatro seminovos ?trocam de mão?. O setor, porém, não coleciona apenas bons momentos. No caso do Paraná – onde 50% das vendas de veículos se concentram na Grande Curitiba e outros 50% no interior -, problemas na agropecuária afetaram as vendas de veículos, e o resultado foi crescimento bem menor entre 2004 e 2005, de 10,19%.

Para 2008, acredita Sebben, o setor deve crescer 18%, mesma estimativa feita em nível nacional. No Estado, há cerca de 500 concessionárias, e o setor emprega cerca de 22,6 mil pessoas direta e indiretamente.

Indústria

É o setor automotivo que vem puxando a produção e o emprego na indústria do Paraná, segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De janeiro a outubro, a produção de veículos automotores no Estado cresceu 27,5%, por conta sobretudo de caminhões e automóveis – bem acima do crescimento médio de 7,6% registrado no período. Na comparação de outubro desse ano com outubro do ano passado, a expansão é de 66%.

Produzindo mais, a indústria automotiva também contratou. Entre janeiro e outubro, o emprego na indústria do Paraná cresceu 2,7% – entre as montadoras, o crescimento foi bem maior, de 25,40%. O setor também foi responsável pelo maior aumento real de salário no período, de 20,52%.

?A produção industrial paranaense deve ter o melhor resultado desde 2004, quando cresceu 10,7%?, apontou o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos, regional Paraná (Dieese-PR). Segundo ele, o principal fator que pode afetar as expectativas para 2008 é o agravamento da crise norte-americana. ?Dependendo do desenrolar da crise, pode afetar o fluxo de dólares para o Brasil, provocando mudanças conjunturais no câmbio e na taxa de juros do País?, destacou o economista. 

Montadoras comemoram o desempenho

As duas grandes montadoras instaladas na Grande Curitiba – a Renault e a Volkswagen, ambas com fábricas em São José dos Pinhais – também não têm do que reclamar: 2007 ficou na história. ?O ano de 2007 ficará marcado na história da Renault do Brasil como o de melhor desempenho desde que a empresa iniciou sua atividade industrial no País, em 1998?, destacou a montadora francesa em seu balanço de 2007. A empresa prevê encerrar o ano com mais de 73 mil unidades comercializadas no mercado interno, das quais 65.675 já foram vendidas de janeiro a novembro. Esta previsão é 43% superior ao registrado em 2006, quando a empresa vendeu 51.682 unidades, e cerca de 14 pontos percentuais superior ao aumento de todo o mercado de automóveis, que registra elevação de 29%.

Além disso, a montadora está ampliando os volumes de produção de seus veículos de passeio e de utilitários, devendo atingir o recorde de 120 mil unidades produzidas (incluindo Nissan), um crescimento de 56% em relação a 2006. Com o objetivo de dobrar o volume de vendas até 2009 – em comparação aos patamares de 2006 -, a Renault do Brasil lançou um plano de lançamento de seis novos veículos em três anos, que irá demandar R$ 1 bilhão no desenvolvimento dos produtos.

Volks

A fábrica da Volkswagen no Paraná deve fechar o ano com a produção de 207,7 mil veículos, 24 mil unidades a mais do que no ano passado, quando foram produzidas 183,7 mil unidades – um crescimento de 13%. O aumento do volume de produção da montadora de São José dos Pinhais deve-se principalmente ao crescimento do mercado interno neste ano.

Segundo a empresa, de janeiro a dezembro a fábrica do Paraná vai enviar 70,1 mil veículos para o mercado europeu, Argentina, México e Canadá, entre outros. O volume total de exportação cresceu 5,4% em relação ao mesmo período no ano passado, quando foram exportadas 66,5 mil unidades. A unidade opera atualmente com a capacidade máxima e produz 820 carros por dia.

Devido ao aquecimento do mercado interno, a Volkswagen ampliou este ano em 28% o investimento de R$ 2,5 bilhões que anunciara em 2006 para o período 2007-2011. Assim, serão investidos nesse período, em nível nacional, um total de R$ 3,2 bilhões. Cerca de dois terços desse aporte serão aplicados em produtos. O restante será investido na adaptação das linhas de produção das fábricas já existentes, para ampliar o volume de automóveis e comerciais leves que serão fabricados nos próximos anos. (LS)