Apesar de um aumento menor que o registrado em março, os alimentos voltaram a pressionar a inflação, em abril. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês passado, Curitiba e Região Metropolitana tiveram uma taxa de 0,54% no mês, que veio depois de um aumento de 0,58% em março. O indicador positivo foi puxado principalmente pelo grupo de alimentação e bebidas, no qual os preços subiram, em média, 1,68% – um mês antes, a taxa tinha sido de 3,16%.

No acumulado do ano, a influência dos alimentos é mais visível. Enquanto o índice geral, em Curitiba, é de 2,33%, o grupo de alimentação e bebidas tem taxa de 7,09%. Se considerados apenas os produtos comprados para serem consumidos em domicílio, o aumento em 2010 é ainda maior: 9,31%. Já nos últimos 12 meses, a capital do Paraná teve inflação de 4,93%. Apesar de não ter o maior índice entre os grupos, foram novamente os alimentos que mais pressionaram, com 7,64% de aumento.

Individualmente, os maiores aumentos no grupo de alimentação ficaram com a batata (30,50%), a cebola (27,71%) e o leite pasteurizado (9,59%). O destaque entre os itens não alimentícios ficou para o reajuste das tarifas de táxi, que aumentaram 11,12%.

Nacional

A média da inflação, no País, ficou um pouco mais alta que na capital paranaense: 0,57%. Ao contrário de Curitiba, a taxa cresceu em relação a março, quando o indicador fechou em 0,52%. A alta do mês passado, de acordo com a coordenadora de índices de preços do instituto, Eulina Nunes dos Santos, foi a maior para meses de abril desde 2005, quando a taxa foi de 0,87%.

O IBGE destacou também os alimentos, que aumentaram 1,45%, depois de um avanço de 1,55% em março. No grupo, os preços acumulam alta de 5,19% – no ano, o índice é bem superior ao do primeiro quadrimestre do ano passado (1,47%). A alta apurada no grupo, no mês, foi a maior, para meses de abril, desde 2001 (1,80%). Segundo Eulina, apesar da desaceleração nos reajustes em relação a março (1,55%), os alimentos continuam com “alta generalizada”, provocada sobretudo por efeitos dos problemas climáticos nas lavouras.

Além dos alimentos, o IBGE detectou como influências na alta do índice nacional de um mês para outro, o reajuste dos remédios, o aumento da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre a compra de automóveis e a entrada no mercado dos novos artigos de vestuário.

Grupos

Com a proximidade do inverno, foi justamente o vestuário o grupo que teve o maior aumento em abril, em Curitiba. Os reajustes ficaram, em 2,08%, em média. O item que mais subiu foi o agasalho infantil (6,50%), seguido das camisas ou camisetas masculinas (5,76%) e do agasalho feminino (5,66%).

O segundo grupo com maior alta foi alimentação e bebidas (1,68%). Depois, aparecem despesas pessoais (0,82%), seguido de saúde e cuidados pessoais (0,81%). Educação e comunicação ficaram estáveis, enquanto os itens de habitação (-0,05%), transportes (-0,39%) e artigos de residência (-0,56%) tiveram baixas, em abril.