O aumento de 15% no preço do gás liquefeito de petróleo (GLP) para clientes comerciais e industriais foi recebido com "surpresa" pelo setor, embora já houvesse grande defasagem com relação ao mercado internacional. "Todas as sinalizações apontavam para estabilidade do preço", afirmou o presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), Sérgio Bandeira de Mello. Na avaliação de executivos do setor, a indústria cerâmica está entre as principais prejudicadas pelo reajuste.

O aumento foi anunciado às distribuidoras do combustível na sexta-feira e confirmado pela Petrobrás no sábado. Mello disse que ainda não é possível projetar qual será o repasse ao consumidor final. "O nosso mercado é livre e tudo vai depender de negociação com os consumidores, mas a verdade é que não temos muito estoque para represar preços", alerta. O presidente da Federação Nacional dos Revendedores de GLP (Fergás), Álvaro Chagas, diz que o repasse deve ser integral.

"Em casos em que o GLP é insumo para exportações, como a indústria cerâmica, onde tem peso significativo no custo, o repasse pode ficar abaixo dos 15%", avalia Chagas, explicando que essa indústria deve apresentar maior resistência a aumentos. Os novos preços começam a ser praticados a partir do dia 1º e não afetam os consumidores residenciais que utilizam botijões de 13 quilos, que não terão reajustes.

Grandes condomínios que usam vasilhames de 20, 45 ou 90 quilos, porém, pagarão mais caro. Segundo o presidente do Sindigás, porém, o GLP mantém competitividade com relação ao gás natural, principal concorrente no consumo de indústria e comércio. Chagas diz que a grande diferença de preços entre os dois insumos permitia prever um aumento no GLP, mas a maneira como o reajuste foi feito surpreendeu, já que não houve alta no botijão de 13 quilos.

O mercado de grandes consumidores de GLP representa cerca de 25% do volume total do combustível comercializado no País. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as vendas de GLP estão praticamente estagnadas nos últimos dez anos, pelo menos, oscilando entre os 11 milhões e 12 milhões de metros cúbicos por ano. O mercado é hoje dominado por quatro empresas, responsáveis por 87,4% das vendas: Ultragaz, SHV Gás, Petrobrás e o grupo Nacional Gás Butano.