De um lado, o setor produtivo. Do outro, o governo. Ambos garantem que a produção de cana-de-açúcar no Paraná vai crescer em 2005, mas em níveis bem diferentes. Para o presidente da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar), Anísio Tormena, o crescimento será grandioso: 10%. Para Disonei Zampieri, analista técnico de bioenergia-sucroalcooleiro do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), ainda é cedo para afirmar, mas o crescimento deve ficar entre 2% e 5%. A nova safra só começa a ser plantada em maio.

"A safra 2004 ainda não foi concluída, mas sinaliza uma pequena evolução sobre 2003. O que comprometeu o nível do rendimento industrial no ano passado foi o outono muito chuvoso", explica Zampieri. O Paraná contribui com 7% do segmento sucroalcooleiro brasileiro, sendo o segundo produtor de álcool e o terceiro na oferta de cana e de açúcar. Com a exploração de 393 mil ha, processou de 28 a 29 milhões de toneladas de cana, resultando em uma oferta de 1,80 a 1,90 milhão de toneladas de açúcar e 1,2 a 1,25 bilhão de litros de álcool, sendo 66% anidro e 34% hidratado.

Mas o que é unânime entre os envolvidos no setor é que esses números não são suficientes para acompanhar a demanda, devendo haver crescimento para não haver desabastecimento. A Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura alerta que a área plantada com cana-de-açúcar no Centro-Sul vai crescer de 5% a 7% para a safra 2005/2006, mas esse percentual deveria ser pelo menos uma vez e meia maior para acompanhar a demanda. Para este ano, foi possível usar os estoques da safra passada (1 bilhão de litros). Para o próximo, praticamente não haverá estoque de passagem.

Cerca de 65% do açúcar paranaense é exportado, com uma previsão de 1 a 1,1 milhão de toneladas em 2004, enquanto o álcool exportou entre 75 a 80 milhões de litros. Tormena garante que a prioridade em 2005 será abastecer o mercado interno. "Lutamos para desenvolver esse mercado e o desafio agora é atender toda a demanda", diz. Ele revela que os produtores paranaenses estão envolvidos num projeto que, nos próximos quatro anos, aumentará a produção do Estado em 50%.

Tormena explica que em 2004 a grande demanda pelo álcool, não só no Brasil, como em muitos outros países, foi indicativo da preocupação com a substituição do combustível fóssil. "O carro flex está sendo a redenção do setor no País. Agora o usuário está tranqüilo para usar novamente esse tipo de veículo", garante. Na sua opinião, muitos países estão percebendo o valor de investir em reservas de álcool, por causa da inevitável substituição que terão que fazer do combustível feito de petróleo num futuro não muito longínquo. "Todo mundo já está pensando qual será o substituto da gasolina."

Exportações

Embora o câmbio esteja desfavorável, o presidente da Alcopar acredita num bom desempenho das exportações. "O grande mercado para o álcool é nos países asiáticos, principalmente Japão, China e Coréia do Sul, que já estão utilizando o álcool anidro para fazer mistura na gasolina", revela. Os Estados Unidos foram o maior importador de álcool combustível brasileiro no ano passado.

Segundo Tormena, o mercado para o açúcar terá um crescimento mais estável, pois já é a grande vedete do setor no caso exportação, além de já possuir diversos clientes cativos. "Na dúvida, o produtor deve apostar no açúcar", aponta.

Segundo o Deral, o preço médio internacional do açúcar em 2004 até outubro foi de US$ 149,41/t, 3,8% inferior ao de 2003. O do álcool ficou em US$ 0,27/kg, igual ao ano anterior.