Por trás da campanha nacional contra o McDonald’s no Brasil, há uma antiga disputa de sindicatos. O Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Apart-Hotéis, Motéis, Flats, Pensões, Hospedarias, Pousadas, Restaurantes, Churrascarias, Cantinas, Pizzarias, Bares, Lanchonetes, Sorveterias, Confeitarias, Docerias, Buffets, Fast-Foods e Assemelhados de São Paulo e Região) e o SindiFast (Sindicato dos Trabalhadores nas empresas de Refeições Rápidas de São Paulo) brigam desde a década de 1990 para representar os funcionários de redes de fast-food na capital paulista.

A Justiça já reconheceu o SindiFast como representante dos trabalhadores na cidade, mas o Sinthoresp ainda tenta reverter a decisão judicial. Hoje, o sindicato paga uma multa mensal de R$ 10 mil por desrespeitar a decisão. “Essa multa já está em R$ 60 milhões, é muito mais do que o patrimônio do sindicato, mas, mesmo assim, não vamos abrir mão da representação em São Paulo”, disse Francisco Calazans, presidente do Sinthoresp, desde 1972.

“Já tivemos a oportunidade de dizer para o próprio McDonald’s que foram eles que criaram esse sindicato”, afirmou.

O presidente do SindiFast, Ataíde Júnior, diz que não participa das ações do Sinthoresp porque ele não representa a categoria. “O nome do Sinthoresp já comprova que não se trata de uma entidade específica.”

O McDonald’s não se manifestou sobre a disputa que envolve os dois sindicatos. Na capital está o maior número de trabalhadores da rede no País: são 11 mil no total. Segundo fontes próximas ao assunto, sem esses trabalhadores, o Sinthoresp deixa de arrecadar R$ 4 milhões por ano. Hoje, o sindicato representa apenas os 3,5 mil funcionários de onze cidades vizinhas, como Carapicuíba e Taboão da Serra. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.