O consumo de gasolina nos postos de combustíveis registrou queda de 11% na última semana de abril, de acordo com dados do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom). Segundo o presidente da entidade, Alísio Vaz, as vendas de gasolina das distribuidoras associadas ao sindicato foram de 510 milhões de litros, ante uma média de 570 milhões de litros registrada nas primeiras semanas de abril. O sindicato representa 75% do mercado de gasolina.

O recuo da demanda por gasolina aconteceu ao mesmo tempo em que as vendas de etanol nos postos voltaram a crescer, passando de 48 milhões de litros verificadas na primeira semana de abril para 80 milhões de litros semanais. “Os preços elevados da gasolina fizeram com que o consumidor apertasse o cinto”, disse ele. Na ponta do lápis, Vaz explica que o consumo de combustíveis caiu em razão do alto preço. “Apesar da migração para o etanol, houve quem simplesmente reduzisse os seus gastos com combustível”, afirmou.

No mês de abril, os preços médio da gasolina nos postos brasileiros subiram 7,36% enquanto os preços do etanol ficaram praticamente estáveis. No Estado de São Paulo, no mesmo período, a gasolina subiu 7,22% e o etanol recuou 5,9%.

Consumo mensal

De acordo com Sindicom, as vendas de gasolina no mês de abril das distribuidoras associadas foram de 2,389 bilhões de litros, um aumento de 28,5% em relação ao consumo registrado em janeiro, de 1,86 bilhão de litros, período em que os preços do etanol ainda não estavam altos. Em relação a março, as vendas de gasolina subiram 4%. Já o consumo de etanol bateu 281,54 milhões de litros em abril, queda de 58,9% em relação às vendas de janeiro, que foram de 684,5 milhões de litros. Em relação a março, as vendas de etanol de abril foram 42% inferiores.

Vaz afirma que este cenário já está mudando com a queda expressiva registrada pelo etanol nas últimas semanas. “Na próxima semana, provavelmente já teremos o etanol hidratado competitivo no Estado de São Paulo e nas semanas seguintes ele voltará a ser competitivo nos demais estados produtores como Paraná, Mato Grosso e Goiás”, disse ele.

O executivo disse que, como já era esperado, com a entrada da safra de cana-de-açúcar, as cotações do etanol estão recuando, tanto o hidratado como o anidro, que é adicionado à gasolina. “Se for contabilizada a alta registrada na gasolina no período de entressafra do etanol, que foi de R$ 0,31 por litro, e a do anidro, que foi de R$ 1,49 por litro, percebe-se que a participação do anidro na alta da gasolina deveria ser de R$ 0,37, referente aos 25%”, disse. Vaz afirma que diante desta conta, seguindo os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a alta da gasolina só refletiu a elevação dos preços do anidro.