A liberação de R$ 22,5 bilhões de depósito da poupança para desembolsos em operações de financiamento habitacional “ajuda bastante” o setor imobiliário e deve apoiar uma futura reação, mas ainda está abaixo do necessário, afirmou o vice-presidente de habitação popular do SindusCon-SP, Ronaldo Cury. “O mercado imobiliário deve voltar a reagir, mas dentro dos limites do cenário atual da economia”, afirmou o executivo.

Para ele, entre as instituições bancárias que devem ser beneficiadas estão a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Santander, “que estavam no limite e tinham menos recursos” para crédito imobiliário. Já outras grandes instituições, como Itaú e Bradesco, que tinham um volume maior de “funding”, podem não ser tão influenciadas.

Ronaldo Cury apontou, entretanto, que ainda é cedo para dizer como a medida pode afetar os juros cobrados dos consumidores de imóveis. Nos últimos meses, diante da escassez de recursos da poupança, bancos públicos e privados haviam elevado os custos de empréstimos para o setor. “Ainda não é possível dizer se os juros podem cair, mas, pelo menos, evita que o crédito trave”, afirmou.

Entre as ações recentes das autoridades, o executivo também destacou a restrição para utilização de títulos e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Agora, essa ferramenta só será permitida se tiver como lastro financiamentos de imóveis até R$ 750 mil, teto do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). “Isso também deve trazer mais recursos”, disse.