O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou hoje que a desvalorização do dólar ante o real é prejudicial à atividade agrícola. “Entendo que está ruim. Esta é a pior notícia (para o produtor)”, disse, após participar de reunião do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri), na sede do ministério, em Brasília. Ontem, o dólar comercial fechou a R$ 1,761 no mercado interbancário de câmbio e hoje já era negociado abaixo de R$ 1,75, no menor valor desde meados de setembro do ano passado.

Questionado sobre se o Ministério da Agricultura estaria preparando alguma estratégia para auxiliar o setor a esse respeito, a exemplo do que está fazendo Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), conforme apurou a Agência Estado, Stephanes negou a existência de qualquer plano nesse sentido. “Só espero que o MDIC não se esqueça de incluir a Agricultura nisso”, comentou.

O ministro avaliou também que a redução da área plantada em 6,69% em 10 anos até 2006, identificada pelo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na semana passada, é fruto da maior produtividade do setor e da criação de novas terras indígenas e unidades de conservação: “Já havíamos detectado a eficiência da agricultura. E também o aumento de reservas e áreas indígenas.”

Na avaliação de Stephanes, no entanto, ainda há espaço para o setor avançar. Ele deu como exemplos de áreas a serem utilizadas as da região do Cerrado e dos Estados do Maranhão, Bahia e Piauí. “Mas não há interesse em crescer na região do bioma amazônico”, disse.

O ministro evitou comentar o debate que se dá na Comissão de Agricultura do Senado a respeito dos índices de produtividade rural. “Não vou discutir decisões do Congresso”, disse. O ministro voltou a afirmar, porém, que existem formas de debater o indicador considerando-se aspectos técnicos. Stephanes defende a definição de um índice de produtividade que leve em conta não apenas a área produzida, mas também indicadores de mercado e de preços. “Já temos uma série de inseguranças jurídicas no campo. Se não levarmos isso em consideração, estaremos introduzindo mais uma”, defendeu.

Sobre a reunião com os secretários de Agricultura, o ministro relatou que o debate gira em torno de alguns pontos, como o programa de defesa sanitária, a defesa do meio ambiente e a necessidade de criação de um marco regulatório para a exploração de jazidas de potássio e fósforo para atender o consumo de fertilizantes domésticos. “Queremos que o Brasil fique totalmente livre da febre aftosa em 2010”, disse Stephanes.