A balança comercial brasileira conseguiu, em maio, registrar um superávit de US$ 3,118 bilhões, o que significa recorde histórico mensal no comércio exterior brasileiro. Essa foi a primeira vez que o saldo mensal da balança comercial brasileira superou o patamar de US$ 3 bilhões em um único mês. Esse saldo histórico foi resultado de exportações também recordes de US$ 7,941 bilhões em maio, menos importações de US$ 4,823 bilhões. Em relação ao mesmo mês de 2003, as exportações cresceram 24,6% e as importações tiveram crescimento de 25,1%.

Com esse desempenho da balança comercial em maio, o saldo acumulado no ano está superavitário em US$ 11,243 bilhões, o que é um recorde histórico para o período. Em 2003, o superávit da balança comercial de janeiro a maio foi de US$ 8,044 bilhões.

As exportações neste ano somam US$ 33,979 bilhões e as importações US$ 22,736 bilhões. Em relação ao mesmo período de 2003, as exportações cresceram 24% e as importações 18%.

O resultado das exportações no acumulado do ano é recorde histórico para os primeiros cinco meses do ano. O valor exportado supera as vendas de janeiro/maio de 2003, que foram de US$ 27,128 bilhões.

No acumulado de 12 meses, terminados em maio, o saldo comercial é um superávit de US$ 28 bilhões, um recorde histórico para acumulados em 12 meses. As exportações no período somam US$ 79,935 bilhões e as importações, US$ 51,935 bilhões.

Viagens

O aumento das quantidades exportadas e dos preços de alguns produtos vendidos ao exterior, associado à conquista de novos mercados, tem motivado o bom desempenho da balança comercial brasileira, segundo o ministro do Desenvolvimento, Luiz Furlan.

De acordo com Furlan, por onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem viajado o crescimento das exportações brasileiras tem sido maior. “Onde nós temos ido tem espaço para crescer (as exportações).”

Em maio, por exemplo, as vendas externas para a Namíbia cresceram 49,7%; para a África do Sul, 40%; para o Líbano, 46%; para o Egito, 97%; para a Líbia, 52%; para a Síria, 800% (passou de US$ 8 milhões para US$ 74 milhões).

Os números, apresentados pelo ministro Furlan, revelam, segundo ele, que “a soma dos pequenos faz uma diferença grande no final”.

Segundo o ministro, o aumento das exportações para esses países visitados pelo presidente é uma resposta aos críticos. “É uma resposta para quem, não tendo conhecimento desses números, diz que as viagens são mais festivas que produtivas. As viagens do presidente abrem portas, ruas, avenidas para os produtos brasileiros”, disse Furlan. Segundo ele, essas missões são bons investimentos que pagam a conta.

Numa referência à compra do avião presidencial, no valor de R$ 50 milhões, Furlan ressaltou que apenas o aumento das exportações para a Síria já paga com sobra o custo do avião.

Exportações

Em maio, as exportações das três categorias de produtos (manufaturados, básicos e semimanufaturados) tiveram desempenho recorde para o período. No mês, as vendas de caminhões, por exemplo, cresceram 99,2%; as exportações de aviões aumentaram 96,3%; de laminados planos, 58,4%; de óleos combustíveis, 39,2%.

Em relação aos produtos básicos, as vendas de petróleo em bruto subiram 106,3%; de carne de frango, 93,4%; e de farelo de soja, 35,8%. As exportações de semimanufaturados de ferro/aço cresceram no mês, em relação a maio de 2003, 40%, e as vendas de couros e peles ficaram 37,2% maiores.

O ministro Furlan ressaltou que as exportações do complexo de soja estão crescendo em média 25%. Portanto, segundo ele, o saldo comercial “não está sendo influenciado exageradamente pelo complexo soja”. Ainda com relação à soja, a expectativa é de que a queda dos preços do produto no mercado internacional ainda provoque uma repercussão sobre as exportações.

Operação padrão

A operação padrão dos auditores fiscais da Receita Federal certamente causou impacto sobre o resultado da balança comercial brasileira de maio, mas o governo não sabe quantificar esse impacto.

De acordo com o ministro Furlan, não se sabe ainda quanto ficou retido em exportações e importações. Em abril, a expectativa é de que houve uma retenção entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão em exportações. Esse volume, segundo Furlan, certamente, foi incorporado em maio, mas como houve retenção também no mês de maio, não há como quantificar o impacto do movimento sobre o comércio exterior.

“Só vamos saber o efeito da retenção quando a situação se normalizar”, disse o ministro.