O esforço fiscal que o governo faz na tentativa de reduzir a dívida pública já subiu 30,2% entre janeiro e julho na comparação com o mesmo período do ano passado. O superávit primário – receitas menos despesas, excluindo os gastos com juros – foi de R$ 68,745 bilhões, contra R$ 52,796 bilhões no mesmo período do ano passado. O valor é o melhor para o período de acordo com a série do Banco Central, iniciada em 1991.

Esse valor ultrapassa em R$ 8,561 bilhões a meta para o primeiro e segundo quadrimestres (janeiro a agosto), que é de R$ 60,184 bilhões (4,66% do PIB). A meta para o ano é uma economia equivalente a 4,25% do PIB (R$ 83,849 bilhões).

A economia feita até agosto equivale a 6,27% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas por um país) projetado para o período. Ou seja, bem acima da meta do setor público consolidado – União, estados, municípios e estatais – para o ano. No mesmo período do ano passado, o superávit dos primeiros sete meses do ano foi de 5,37%.

Segundo Luiz Sampaio Malan, chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, embora a economia para o pagamento de juros esteja elevada, não significa que o governo trabalhe com uma meta de superávit maior.

Para ele, o superávit primário em relação ao PIB irá convergir para a meta até o final do ano, já que os gastos do governo tendem a aumentar no segundo semestre. ?O que se espera é que por conta da sazonalidade essa participação vai se reduzir a partir de agora?, avalia.

Para alcançar a meta, o governo precisa economizar mais R$ 15,1 bilhões, ou seja, uma economia de cerca de R$ 3 bilhões por mês entre agosto e dezembro.

Para o resultado acumulado do ano, o governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e INSS) contribuiu com R$ 46,026 bilhões e os governos regionais com R$ 14,921 bilhões. Já as estatais registraram no período um superávit de R$ 7,798 bilhões, um crescimento de 391,4% na comparação com a contribuição feita no mesmo período do ano passado (R$ 1,587 bilhão).

Apesar do esforço do setor público, a economia feita não foi suficiente para pagar os juros do período, que somaram R$ 92,264 bilhões. Com isso, o déficit nominal (receitas menos despesas, incluindo os juros) no acumulado do ano até julho é de 23,519 bilhões (2,14% do PIB).

Julho

No mês passado, o superávit primário foi de R$ 8,796 bilhões, o melhor resultado para julho desde o início da série. Como sempre, a maior contribuição veio do governo central, que economizou R$ 5,615 bilhões. Os governos regionais registraram um superávit de R$ 1,217 bilhão e as estatais, de R$ 1,964 bilhão.

Já os gastos com juros somaram R$ 12,136 bilhões. Com isso, o déficit nominal foi de R$ 3,340 bilhões.

A dívida líquida do setor público atingiu em junho R$ 971,8 bilhões, o que representa 51,3% do PIB, contra R$ 966 bilhões (51% do PIB) do mês anterior. Em dezembro, a relação dívida/PIB era de 51,7%.

Para este mês, o BC estima que a relação irá subir para 51,5% do PIB.