Foto: Jornal O Estado do Paraná
Empresas não falam em fusão, mas
confirmam união de frotas.

As dificuldades econômicas que atingem as companhias aéreas de todo mundo, parecem ter, finalmente, convencido executivos das empresas brasileiras a tomar uma atitude. Ontem, as companhias de aviação Varig e TAM, assinaram um protocolo de entendimento para a criação conjunta de uma nova empresa aérea que reuniria as frotas das companhias. Juntas, as duas possuem 218 aeronaves.

A união foi a solução encontrada pelas duas maiores empresas aéreas brasileiras para cortar custos e tentar reverter os enormes prejuízos registrados em 2002. Além de operar no vermelho, a Varig tem enfrentado dificuldades em pagar funcionários, credores e fornecedores e chegou a ter um Boenig arrestado na semana passada pelo não-pagamento do leasing (aluguel) da aeronave.

A nova empresa terá capital aberto (ações em Bolsa) e permanecerá com o controle privado e a gestão profissional compartilhados entre os sócios. A participação de cada uma e o nome da nova empresa só seriam definidos até 30 junho, quando deve ser concluído um estudo elaborado pelo banco Fator para chegar à melhor forma de concluir o negócio.

O presidente da TAM, Daniel Mandelli Martin, disse que a criação da nova empresa ainda não está completamente definida e que poderia acontecer com a fusão ou a criação de uma holding que controlaria as duas companhias.

Depois que houver acordo sobre todos os detalhes da união, o Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico) deverá analisá-los para verificar se o negócio não levará a uma dominação excessiva do mercado de aviação civil brasileiro.

“O importante é que iniciamos o processo, e esse processo significará operações melhores para ambas as empresas”, disse Mandelli após a assinatura do protocolo de entendimento para a busca de uma solução para as dificuldades enfrentadas pelo setor.

A Varig e a TAM já anteciparam, no entanto, que a fusão não implica em “demissões imediatas”.

A solenidade de assinatura do protocolo contou com a participação dos ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e José Viegas Filho (Defesa), além do comandante da aeronáutica, tenente-brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno, do presidente da Varig, Manuel Guedes, e do presidente da TAM, Daniel Mondelli Martin.

Viegas deixou claro que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não deverá ajudar a nova companhia imediatamente. Segundo ele, as companhias aéreas só vão receber empréstimos quando apresentarem um plano “sustentável”.

Na mesma linha, Furlan disse que o BNDES não vai atuar como hospital de empresas, apesar das recentes declarações do novo presidente do banco, Carlos Lessa, favorável a uma maior ajuda do banco a corporações em dificuldade.

Antigo sonho

A fusão entre a Varig e a TAM era um antigo sonho do comandante Rolim Amaro, ex-presidente da TAM, morto em 2001 em um desastre de helicóptero.

No entanto, até esta semana as duas empresas negaram diversas vezes que estivessem em negociação para a fusão das operações.