Foto: Cíciro Back

Gasolina, na gangorra do sobe e desce, faz pressão.

A variação das tarifas públicas foi de 0,30% em junho, com relação ao mês de maio. De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), este índice foi impulsionado principalmente pelo aumento nas tarifas da gasolina (que subiram 2,26% no mês) e a queda na energia elétrica (diminuição de 0,31% no mesmo período).

 Sandro Silva, economista do Dieese, explica que em junho e julho a queda na tarifa de energia elétrica ficou acumulada em 2,04%, mas o impacto só será sentido neste mês. Segundo o Dieese, a tarifa da Copel teve uma redução média de -1,22% a partir do dia 24 de junho. ?Mas a queda não será totalmente sentida pelo consumidor, pois ocorreu um aumento da alíquota do PIS/Cofins de 5,62% para 6,099%), explicou Silva. Segundo ele, ainda assim há a estimativa de que a tarifa na energia elétrica deverá reduzir mais 1% em julho ?Aliás, temos a estimativa de que as tarifas em geral deverão cair cerca de 1% em julho?, comentou.

Com relação à gasolina, que teve aumento de 2,26% nas tarifas em junho e, no mês anterior, -4,11%, o Dieese continua apontando que o Paraná é o segundo estado no ranking do menor preço do combustível, e Curitiba, a terceira capital. Com relação à margem (diferença do preço praticado na distribuidora e no posto), a capital paranaense também continua se mantendo como a que apresenta este índice menor com relação a pelo menos 16 capitais brasileiras. Porém, os índices podem mudar. ?Em maio, a porcentagem da margem de lucro na gasolina foi considerada baixa, de 6,85%. Mas em junho ela subiu para 9,31% e, com as férias começando, temos uma tendência de alta nesta semana?, alertou Silva.

Silva disse ainda que, geralmente, as tarifas da telefonia fixa mudam em junho, mas este ano ainda não há nada de concreto.

Outras variações de tarifa expressivas em junho foram o álcool (-13,79%, valor vinculado à safra, segundo o Dieese), o transporte coletivo (-0,17%) e o gás de cozinha (-0,36%). No acumulado do ano, o que vem chamando a atenção é a alta nas tarifas dos Correios (9,09%) e no transporte coletivo (6,07%). No ano, as diminuições significativas nas tarifas foram na gasolina (-8,40%) e no gás de cozinha (-1,52%).

Pedágio subiu 136% em dez anos

As tarifas de pedágio no Paraná tiveram um aumento de 30% acima da inflação no período de junho de 1998 a junho de 2007, conforme estudos do Dieese. O preço médio praticado ns praças de pedágio nesses dez anos variou 136,27%, enquanto a inflação teve variação de 82%.

De acordo com o Dieese, a concessionária que praticou os maiores aumentos de tarifas foi a Ecovia: enquanto em junho de 1998 cobrava-se R$ 3,80 para passagem de um veículo pequeno, em junho deste ano o valor chegou a R$ 10,90 para quem quer ir de carro às praias paranaenses via BR-277. Segundo o Dieese, a Ecovia praticou um aumento de 186,27% nos últimos dez anos. ?É importante verificar a margem de lucro dessas empresas. O Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – calculou que a margem média no Brasil é de 18%, enquanto nos Estados Unidos é 15%, e na Europa, 12%?, explicou Sandro Silva, economista do Dieese.

Para Silva, também é importante analisar que em dez anos, o fluxo de veículos aumentou e, conseqüentemente, a receita das concessionárias também cresceu. ?Se aumentou a receita, é possível reduzir a tarifa?, observou. Silva lembrou ainda que o impacto ao consumidor com o aumento do pedágio não é apenas direto, mas também indireto. ?Com o aumento do pedágio, os produtos que são transportados pelas rodovias acabam ficando mais caros para o consumidor?, disse.

A concessionária que praticou os menores índices foi a Caminhos do Paraná, que cobrava R$ 2,80 em junho de 2008, e R$ 5,70, em junho deste ano.