O teto da meta da inflação foi ultrapassado pelo IPCA no resultado em 12 meses (8,17%) e está próxima dos dois dígitos em pelo menos três regiões do Brasil. Em abril, o IPCA atingiu 9,53% no Rio de Janeiro, a região metropolitana com o maior aumento de preços no País.

Goiânia e Curitiba também registram alta acima de 9%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em maio, esses resultados podem ficar ainda mais salgados. Basta que a inflação deste mês seja superior à taxa observada em maio do ano passado – de 0,55% no Rio e na faixa de 0,4% nas outras duas regiões.

“Talvez já há dois anos a inflação no Rio se mantém acima da média nacional. Isso pode ser (causado por) serviços. Mas os aumentos em preços administrados têm sido fortes”, explicou Salomão Quadros, superintendente adjunto de Inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo Quadros, os reajustes em preços monitorados como energia elétrica, tarifas de ônibus urbano e combustíveis explicam boa parte da diferença dos resultados ante a média nacional, para mais ou para menos.

Na capital paranaense, a conta de luz avançou 85,51% em 12 meses até abril, mais de 25 pontos porcentuais acima da alta no IPCA geral. Os ônibus também tiveram reajustes mais salgados por lá, segundo o IBGE.

Além disso, a alimentação fora de casa avançou 15,06% no período em Curitiba – a diferença apenas nesse item já faz com que a inflação anual fique 0,45 ponto porcentual maior do que a média. Em Goiânia, os ônibus também subiram acima do observado no País.

Serviços de consertos e manutenção e alimentação fora se somam aos itens que jogam a inflação para resultados mais próximos de dois dígitos.

No Rio, há a pressão de serviços, que aparece na alimentação fora do domicílio, aluguéis, estacionamentos e em serviços de reparos. Os hotéis cariocas ficaram 16,44% mais caros no último ano, enquanto várias cidades do País registram queda no preço de diárias.

A energia elétrica, por outro lado, até avançou menos do que a média nacional, mas o reajuste ordinário da Light, uma das distribuidoras de energia na região, está previsto para o fim do ano. “É factível (que chegue a dois dígitos), embora ache que o IPCA em 12 meses já está chegando a um teto”, disse Quadros.

Salvador, que detém a menor inflação acumulada (7,02%), registra reajustes menores do que a média tanto nas tarifas de ônibus quanto em energia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.