O Tesouro Nacional obteve com a operação desta terça-feira (19) a menor taxa de retorno ao investidor (yield) em uma emissão de bônus globais denominadas em reais, como parte de seu esforço para aumentar a liquidez dos bônus da dívida externa emitidas em moeda local.

O governo brasileiro vendeu R$ 750 milhões (cerca de US$ 393,7 milhões) em bônus globais em reais da emissão existente com vencimento em 2028. Os papéis foram emitidos a 115,50% do valor de face, com um cupom de juro de 10,25% e uma taxa de retorno de 8,626%. Esta foi a menor taxa de retorno já paga por um bônus da dívida soberana brasileira denominada em real. O recorde anterior pertencia à taxa de retorno obtida na reabertura do mesmo papel realizada em maio, quando o Tesouro Nacional colocou no mercado R$ 750 milhões a um yield de 8,938%.

"É um marco significativo", disse o economista-chefe no Brasil do WestLB, Roberto Padovani. "Isso mostra que os investidores estão dispostos a comprarem bônus de longo prazo do Brasil, mesmo com retornos menores", acrescentou. A operação foi coordenada pelo JP Morgan e o Credit Suisse, com o Itaú Europa e o BB Securities atuando como co-gerentes.

Quando foi realizada a primeira emissão do BRL 2028, em fevereiro, o papel foi colocado a 96,451% do valor de face. Em março, na primeira reabertura, o bônus foi emitido a 99,75% e, na seqüência, em maio, colocado a um preço de 112,25%. "Com o preço do valor de face subindo em cada reabertura, podemos ver que os investidores estão apostando em uma redução continuada das taxas de juro brasileiras no futuro", disse um operador de bônus em São Paulo. "Os investidores querem tirar vantagem da atual taxa de juro antes que ela caia", acrescentou. As informações são da Dow Jones.