A onda global de fusões e aquisições no setor de telefonia eclodiu no Brasil, depois dos boatos no mês passado, agitando o pregão da Bolsa de Valores de São Paulo. Foi anunciado oficialmente o início do processo de venda do controle da Telemig, quinta maior operadora de telefonia celular no Brasil, atrás da Vivo, Claro, TIM e Oi (Telemar).

No mês passado, os investidores estrangeiros aceleraram as compras de papéis das teles, apostando que essas ações poderiam oferecer fortes ganhos no curto prazo. Nos EUA, o setor vive uma onda de fusões e aquisições com anúncios da compra da MCI, antiga dona da brasileira Embratel, pela Verizon, da fusão da Sprint com a Nextel e a compra da AT&T pela SBC.

Esse clima de mudanças societárias também atinge o setor de TV por assinatura, que é acompanhado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). No Brasil, há um acordo que prevê a venda de 34% da Net pela Globopar para a mexicana Telmex. Essa opção de venda poderá ser exercida até 1.º de julho deste ano. No início do mês passado, a Telmex já comprou 7,2% do capital votante da Net.

Ontem foi anunciado que o ?data-room? (sala de informações sobre a saúde financeira da empresa) da Telemig está prestes a ser aberto para os interessados. Analistas apontam Brasil Telecom, Claro e Vivo como os mais prováveis compradores da participação do grupo Opportunity nas companhias Telemig Celular e Amazônia Celular (Tele Norte Celular).

Com essas expectativas, as ações das teles entraram em uma temporada de forte sobe e desce, ao sabor das especulações sobre seu grau de interesse na disputa, o tamanho do lance, a formação de possíveis consórcios e o impacto da operação no endividamento dos grupos.

O frenesi dos analistas em busca de informações sobre o que vai ocorrer no setor lembra as movimentações observadas em 2002, quando a Portugal Telecom e a Telefônica anunciaram a união de suas operações de telefonia celular no Brasil – inicialmente apelidada de ?Portufônica?, que resultou na criação da Vivo.

No ano passado, o setor chegou a ser atiçado pelo leilão de licenças para a operação de telefonia celular em São Paulo. Mas Telemar e Brasil Telecom deixaram de apresentar suas propostas em meio a dúvidas sobre o retorno do investimento.