O presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira, 22, em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, que confia que o governo terá “eleitores substanciosos” no pleito presidencial de 2018. Apesar de sua baixa popularidade, o presidente explicou que acredita que sua gestão será melhor avaliada, nos meses que antecedem a eleição presidencial, por conta das reformas.

“Depois da votação da Previdência, vamos fazer a simplificação tributária para encerrar o ciclo de reformas. Então eu acho que vamos ter eleitores substanciosos”, afirmou. Ainda que otimista, o presidente foi evasivo quando questionado sobre a possibilidade de se candidatar à reeleição. “Eu sou candidato a fazer um bom governo e nada mais do que isso”, resumiu.

O presidente não deixou de comentar, no entanto, sobre os perfis das candidaturas com mais chances para vencer o pleito. Na visão de Temer, o eleitor vai querer um “político de resultado” para estar à frente do País. Além disso, ele aposta que “alguém moderado” vá conquistar a preferência do eleitorado. “Minha impressão é que extremistas terão dificuldade em 2018”, opinou.

Temer negou ainda que uma eventual candidatura à Presidência de seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, poderia atrapalhar a reforma da Previdência no ano que vem. “Não acredito que vá atrapalhar. Ele não é candidato. Você é candidato, Meirelles?”, questionou o ministro que estava ao seu lado. Mais uma vez, Meirelles repetiu que só decidirá sobre isso em março do ano que vem.

Já sobre a viabilidade da candidatura do ex-presidente Lula, que responde uma série de denúncias na Justiça, Temer evitou fazer qualquer avaliação. “Eu não me atreveria a dar uma solução digamos de natureza jurisdicional. Isso candidatura de Lula está sendo debatido. Num dado momento, o Supremo vai decidir o que devem fazer. Eu não posso nem me antever se ele Lula obtém uma liminar ou não”, respondeu. “O que posso responder é que, aquele que for contra as reformas, não terá apoio do eleitorado. Em segundo lugar, não terá apoio do governo. Se ele, Lula, se opõe ao que o governo fez, como é que o governo vai apoiá-lo? E, de fato, acho que é o único candidato que se opõe às reformas”, afirmou.

Popularidade

O presidente brincou quando o assunto foi sua popularidade. “Nossa popularidade aumentou 100% em dezembro, foi de 3% para 6% de aprovação”, disse em tom de brincadeira ao citar o resultado da pesquisa CNI/Ibope, divulgado na quarta-feira, 20. “Aumentar 100% não é fácil risos. Estamos no mês de dezembro, imagina quando chegar em março, abril…seja quem for o candidato do governo em 2018, o governo estará sendo reconhecido pelo desmascaramento daqueles que se mascararam para urdir o que urdiram”, disse.

Sobre esse assunto, Temer explicou que seguiu conselho de Nizan Guanaes, publicitário que sugeriu que ele aproveitasse a impopularidade e fizesse “tudo que o Brasil precisa”. “Aproveitei e fiz tudo que o Brasil precisa. Na verdade, ele dizia, assim: a popularidade é uma jaula. Quando você procura o populismo, você se enjaula. Quando você quer se reeleger ou algo dessa natureza, você fica com medo de praticar certos atos indispensáveis para o Brasil”, acrescentou.