Como parte das medidas do governo de enfrentamento da chamada guerra cambial, o Tesouro Nacional lançará em breve um programa permanente de venda no exterior de bônus em reais da dívida externa para reduzir o fluxo de dólares ao País.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, informou ontem ao jornal O Estado de S.Paulo que, “de olho no câmbio”, as emissões em reais serão agora frequentes e o governo tem uma “grande quantidade” de medidas cambiais em estudo que poderão ser lançadas a qualquer momento.

“É uma análise do dia a dia. Depende do que precisa”, disse. “Na questão do câmbio, o outro lado tem de enxergar a força do governo”, ressaltou. Segundo Augustin, o governo estuda a melhor maneira de tornar o título do Tesouro em reais no exterior mais líquido, ou seja, com maior quantidade para negociação.

Nessa estratégia, explicou o secretário, o investidor estrangeiro poderá contar com o bônus em reais como opção “perene” na sua carteira de aplicações. Não há definição ainda se haverá vendas semanais ou mensais.

Descompressão

A maior emissão no exterior de dívida externa em reais será uma alternativa importante para o investidor estrangeiro que quer ficar “posicionado em Brasil”, sem precisar entrar no País e comprar títulos da dívida interna – que ainda têm a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Para o governo, essa alternativa poderá ser fonte de “descompressão da taxa de câmbio, à medida que reduz a entrada de dólares voltados para a dívida de curto prazo.

“A emissão do bônus em reais está dentro das medidas que têm um olhar forte para câmbio. Vamos continuar com essa política”, argumentou. Augustin está convencido de que as emissões em reais vão ajudar a evitar uma excessiva valorização do real ante o dólar. “Por que ele vai insistir em entrar no País, se o objetivo dele é aplicar em renda fixa?”

O secretário disse que o Tesouro não deixará de vender no Brasil papéis da dívida interna prefixada (cuja taxa é definida no momento da venda do título pelo Tesouro) com prazos de vencimentos mais longos, os preferidos dos estrangeiros. Mas ponderou que a rolagem da dívida interna está “bem avançada” e não haverá dificuldade em vender menos esses papéis.

Embate

Depois de o mercado ensaiar esta semana uma alta de juros de longo prazo por causa do IOF mais salgado, o secretário mandou um recado duro aos investidores: “Não vamos sancionar aumento de juros da ponta longa”, disse, referindo-se à taxa de juros dos papéis com prazo de vencimento mais longos.

Para o secretário, as taxas mais altas negociadas nos últimos dois dias estão acima do que considera o nível de equilíbrio e, por isso, a estratégia do Tesouro é de redução dos lotes de emissão até que o mercado volte à normalidade. Para ele, a alta dos juros pedida não é compatível com os fundamentos da economia nem com a “matemática”.

Na visão de Augustin, a tendência dos juros de médio e longo prazo é de queda e o IOF mais alto não é justificativa para o movimento recente. “As taxas de médio e longo prazos têm tudo para cair, e até para ficar abaixo do que estavam antes. Os fundamentos da economia brasileira apontam para isso. Ou seja, para um processo de diminuição da taxa de juros”, disse, destacando que fatores como a menor relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB), a melhor capacidade de rolagem da dívida externa e a ausência de restrição externa favorecem a tendência de queda dos juros. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.