O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou nesta sexta-feira, em São Paulo, que, “conforme” tem “alertado, os atuais níveis globais de liquidez e de taxas de juros fazem parte de circunstâncias muito especiais, que tendem” a desaparecer em algum momento. “Há claros sinais de que o processo de normalização das condições monetárias nos Estados Unidos já se iniciou”, destacou.

“Com isso, a perspectiva é de redução da liquidez internacional, moderação do fluxo de capitais, principalmente para economias emergentes, e encarecimento dos financiamentos externos”, disse. “Nesse contexto, manter o sistema financeiro sólido, bem capitalizado, com elevados níveis de liquidez e de provisionamento e sem vulnerabilidades aparentes, como é o caso do Sistema Financeiro Nacional, é condição essencial para enfrentarmos volatilidade nos mercados internacionais que eventualmente surjam no curso da normalização das condições monetárias de economias avançadas”, destacou. Tombini fez os comentários na abertura do VIII Seminário Anual sobre Riscos, Estabilidade Financeira e Economia Bancária realizado pela autoridade monetária.

Fluxo de capital

O presidente do BC disse que o “fluxo de capital volátil para o Brasil” se moderou, mesmo diante de uma ampla liquidez internacional. “As medidas macroprudenciais contribuíram para manter o bom funcionamento dos nossos mercados em um ambiente de expansão da liquidez internacional e de intenso fluxo de capitais, principalmente para as economias emergentes”, destacou. Tombini também ressaltou que os prazos dos capitais que ingressam no País aumentaram e “a natureza do capital melhorou de qualidade”, sendo formado “já há algum tempo, majoritariamente de investimento estrangeiro direto.”

Carteiras de crédito

Tombini afirmou também que a autoridade monetária “ampliou ainda” mais o monitoramento de todas as emissões de carteiras de crédito e de exposições de bancos a derivativos. “Conduzimos processo abrangente de supervisão para corrigir vulnerabilidades do sistema”, apontou.