O paranaense ocupado, em sua maioria, possuía em 2009 uma renda média mensal real de R$ 1.228 (valor nominal), tinha uma única atividade remunerada, cumprindo uma jornada de trabalho superior a 40 horas semanais e, ainda, dentre aqueles com carteira de trabalho assinada, apresentava um tempo de permanência no emprego entre dois e quatro anos.

Tal perfil foi traçado pela Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) 2009, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Estado, os indicadores observados para avaliar questões envolvendo trabalho e renda, contaram com uma amostragem de 5,6 milhões de pessoas.

A captação dos dados ocorreu em setembro do ano passado, mês que o País ainda lidava com alguns desdobramentos da crise econômica mundial. Mesmo assim, os números obtidos avançaram sob diversos aspectos para a renda e o trabalho no Paraná.

“Tanto no Estado quanto no País, percebeu-se que o grande medo do impacto da crise econômica mundial sobre o trabalho e a renda não aconteceu”, destacou o economista do IBGE e pesquisador da PNAD 2009, William Kratochwill.

Segundo ele, na mesma época em que a pesquisa foi realizada, a Espanha registrava um índice de desocupação de 18%. “Na região Sul, em 2009, esse índice ficou em 6%, o menor do País, um patamar semelhante ao que era visto nos países desenvolvidos antes da crise”, informa o economista acrescentando que a taxa de atividade do Sul também foi a mais alta, com 65,5%.

O valor de R$ 1.228 de rendimento real por pessoa no Estado representou um acréscimo de 3% em relação a 2008, quando a média real mensal de rendimento ficou em R$ 1.207.

A média brasileira resultou em R$ 1.106, um incremento de mais de 2,2% na comparação com 2008, que registrou R$ 1.082. O estado que encabeça a lista de melhor rendimento médio em 2009 é o Rio de Janeiro com R$ 1.359. Vale destacar que o rendimento médio mensal real verificado no Distrito Federal, no ano passado, foi de R$ 2.239.

Para chegar a esse rendimento médio, aproximadamente 72% dos paranaenses ocupados da amostra (4.049 pessoas) tiveram que trabalhar em 2009 mais de 40 horas semanais.

Integrando a faixa de pessoas com carga horária acima de 40 horas, 1% (1.505 pessoas) delas trabalham de 45 a 49 horas ou mais por semana. Por grupamento ocupacional, as categorias trabalhadores agrícolas e  trabalhadores de bens e serviços e de reparação e manutenção são as duas com mais profissionais com carga horária superior a 45 horas semanais.

É importante notar que grande parte dos paranaenses ocupados, um total de 5,3 milhões tem um único trabalho e, mais da metade, 3,3 milhões são empregados. Na classificação do tipo de categoria por emprego, atrás dos empregados, aparecem os trabalhadores por conta própria, que, no Estado, são 1,1 milhão de pessoas.

Carteira de trabalho x permanência

Pela PNAD,os trabalhadores com carteira de trabalho assinada somaram, em 2009, 2,2 milhões de pessoas (65,7% dos empregados do Estado contra 60,4% do Brasil), porém, o documento nem sempre garantiu o maior tempo de permanência no trabalho.

Boa parte de quem tem carteira de trabalho assinada no Paraná (610 mil pessoas), fica de dois a quatro anos no mesmo serviço, “dada a rotatividade característica do tipo de atividade econômica de cada estado”, explica o economista do IBGE. “Mas do total de trabalhadores com até 9 anos de permanência, 76% têm carteira assinada no Paraná”, ressalva.