Anderson Tozato / GPP
Anderson Tozato / GPP

Correios, petroleiros, bancários participaram ontem do protesto.

Funcionários dos Correios, petroleiros, bancários, servidores públicos e demais categorias filiadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT) que têm a data-base no segundo semestre deram ontem o pontapé inicial para a campanha salarial unificada. No final da tarde, eles se concentraram na Praça Carlos Gomes, de onde saíram em passeata até a Boca Maldita, centro de Curitiba. ?A idéia é fazer um ato comum para mostrar a solidariedade das categorias e avançar nas conquistas?, explicou Roni Anderson Barbosa, presidente da CUT-PR. A expectativa era reunir entre quinhentos e mil manifestantes.

Segundo Barbosa, o protesto realizado ontem foi apenas a primeira atividade de uma série de eventos que devem ocorrer até o final do ano. ?Temos uma pauta conjunta, como a redução da jornada de trabalho, melhorias da saúde do trabalhador, informações sobre contratações, demissões, média salarial, que muitas empresas se recusam em fornecer?, afirmou Barbosa. Além disso, os trabalhadores reivindicam aumento real – reposição acima da inflação. No caso dos bancários, reposição da inflação e aumento real de 5%, e dos petroleiros, 10% em média.

Para o presidente da CUT-PR, ?o bom momento da economia, com crescimento de 3,5% previsto para este ano? oferece condições para reivindicar a reposição salarial. ?O nível de emprego tem melhorado. O grande problema é a má distribuição de renda?, criticou Barbosa.

Resultados positivos

A idéia do movimento é dar continuidade às conquistas dos trabalhadores registradas no primeiro semestre. Conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), 22,6% das negociações feitas no primeiro semestre no Paraná resultaram em recomposição integral da inflação e 64,7% em aumento real (acima da inflação). O resultado foi a injeção de quase R$ 700 milhões na economia paranaense. O Dieese estima que cerca de 900 mil trabalhadores formais no Estado têm data-base no primeiro semestre e outros 900 mil no segundo.

Ao todo, o Dieese-PR analisou 368 resultados de negociações salariais. Em nível nacional, as negociações salariais do primeiro semestre tiveram o melhor resultado já verificado desde 1996, com 84% dos acordos com reajustes iguais ou maiores que o INPC – índice de inflação usado para reajustar o salário dos trabalhadores.