O transporte de valores em Curitiba será retomado hoje, mas apenas parcialmente. A decisão foi anunciada na tarde de ontem, logo após a reunião entre representantes do sindicato das empresas de transporte de valores e do sindicato dos vigilantes, e o secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Ao todo, vinte carros-forte estarão atuando hoje em Curitiba – quase 20% do número de veículos que atuam normalmente na capital em dias de pico.

A trégua entre as partes foi dada depois que a juíza Rosires Rodrigues de Almeida Amado, da 14.ª Vara do Trabalho, concedeu liminar autorizando a circulação de cinco veículos por empresa – Proforte, Transbank, TGV e Prosegur – com escolta policial. O acordo selado ontem entre as partes não coloca, no entanto, fim à greve dos funcionários, que entra hoje no 9.º dia. Uma nova reunião entre o sindicato patronal e o dos vigilantes, dessa vez para discutir a proposta salarial, está marcada para hoje às 14h.

?A greve não terminou. O que está ocorrendo é que tanto o sindicato patronal como o laboral assumiram o compromisso com o secretário de que soltaremos alguns veículos?, explicou o presidente do sindicato das empresas de transporte, Gerson Benedito Pires. Segundo ele, o transporte de valores será feito apenas em Curitiba. No interior, portanto, o cenário não muda. Pires afirmou ainda que as empresas irão decidir se avançam, ou não, nas negociações com os funcionários durante a nova reunião.

Com os funcionários em greve, as quatro empresas terão que buscar outras pessoas para dirigir os veículos que transportam valores. ?O pessoal está todo parado. Sabemos que se as empresas colocarem pessoas inabilitadas, aí o problema é com a Polícia Federal?, provocou o presidente do sindicato dos vigilantes, João Soares. A categoria pede a reposição integral da inflação (5,86%), aumento real de 4%, aditivo de risco de vida de 30% (hoje é 20%), fim da compensação de horas e vale-alimentação de R$ 12,00 (atualmente eles recebem R$ 10,00). Ontem, Soares admitiu, no entanto, que alguns pontos podem ser negociados, como o aumento real e o vale-alimentação. ?Só não abrimos mão do adicional de risco e da reposição integral da inflação?, afirmou.

Medida de segurança

Embora a decisão judicial determine que a polícia faça escolta para cada cinco veículos de transportes, durante a reunião realizada ontem ficou decidido que a presença da polícia não será necessária. ?O sindicato dos trabalhadores garantiu que não vai haver nenhuma intervenção, perturbação. Por parte do sindicato das empresas, elas ficaram de analisar as propostas (salariais) e apresentar amanhã (hoje) durante a reunião?, afirmou o secretário. A expectativa, segundo ele, é que um acordo entre as partes seja selado hoje, colocando fim à paralisação.

As quatro empresas de valores transportam juntas R$ 200 milhões por dia na Grande Curitiba e R$ 1 bilhão no Paraná. Há cerca de 1,8 mil funcionários de empresas de transporte de valores no Estado e, de acordo com João Soares, a adesão à greve é de 100%.