Cleber França/O Diário do Norte do PR

Técnicos brasileiros e europeus discutem solução.

Técnicos da União Européia que visitaram nos últimos dias fazendas, frigoríficos e laboratórios do País para verificar as medidas de combate à febre aftosa criticaram a demora do Brasil em reconhecer o foco da doença no Paraná. Por outro lado, eles deram sinais de estar satisfeitos com as medidas adotadas no Mato Grosso do Sul. A vistoria no País é um passo necessário para que a Europa retome a importação de carne do Brasil. Desde outubro do ano passado, eles deixaram de comprar o produto do Paraná, do Mato Grosso do Sul e de São Paulo.

No Paraná, as suspeitas de existência da aftosa surgiram em novembro, mas só no início de dezembro o ministério confirmou um caso da doença em fazenda localizada no município de São Sebastião da Amoreira. ?Eles criticaram o tempo transcorrido até a notificação do caso?, comentou o coordenador de doenças da secretaria, Jamil Gomes de Souza, referindo-se ao Paraná. Até hoje, o Estado não reconhece a existência da aftosa.

Os europeus vão mandar, em 20 dias úteis, um relatório com perguntas a serem respondidas pelo Brasil. O Ministério da Agricultura quer usar o documento para pressionar o Paraná a admitir os casos da doença e, a partir daí, tomar as providências necessárias – como abater os animais suspeitos de estar doentes, por exemplo. Atualmente, a área da fazenda está isolada, mas os animais continuam vivos, o que é considerado de alto risco.

?Assim que recebermos os posicionamentos com as críticas por escrito vamos dar ciência aos estados envolvidos, no caso o Mato Grosso do Sul e Paraná?, afirmou o diretor do Departamento de Saúde Animal, Jorge Caetano Júnior.

De forma sutil, o diretor admitiu que o Paraná pode ficar isolado, ou seja, a União Européia poderá retomar as compras de carne bovina apenas do Mato Grosso do Sul e de São Paulo. ?A tendência é a seguinte: quando há uma área que eles definam como área problema, onde nem tudo foi esclarecido, você tem condição de deixar (a reabertura) para um momento posterior?, afirmou. ?O tempo pode se prolongar no caso de regiões, não vou citar o Paraná, onde eles não consigam os esclarecimentos?, completou.

Os técnicos do governo brasileiro pretendem levar pessoalmente a Bruxelas as respostas ao relatório elaborado pelos europeus. ?Indo até lá a negociação é mais rápida?, comentou o diretor. Esse mercado é o principal para a carne bovina brasileira, absorvendo 37% dos embarques, e por isso a pressa do governo em retomar as vendas. ?Não houve desaprovação?, disse Souza.

Em março, uma missão de técnicos chilenos virá ao País também para vistoriar as condições de produção de carne no Brasil. É quase certo que os técnicos visitarão Mato Grosso do Sul e o Paraná. Em resposta aos casos de aftosa, o Chile suspendeu, em outubro, as compras de carne bovina de todo o País. O mercado chileno absorvia 10% dos embarques brasileiros do produto. ?Uma eventual reabertura desse mercado está condicionada à essa visita?, comentou o diretor.