A União Européia (UE) culpa o déficit americano pela turbulência nos mercados e garante que o risco de uma recessão na economia do bloco de 27 países está descartado. Nesta terça-feira (22), os ministros das Finanças da UE se reuniram em Bruxelas para tentar acalmar os mercados. Mas deixaram claro que, por enquanto, o pacote americano não é suficiente para dar uma resposta à crise. "Eles (americanos) terão de explicar ainda como o dinheiro colocado no pacote será gasto. Tudo ainda é muito vago", afirmou Christine Lagarde, ministra de Finanças da França.

Falando à imprensa de toda a Europa após o encontro com os ministros, o Comissário de Assuntos Econômicos da UE, Joaquin Almunia, não hesitou em culpar o déficit fiscal e externo dos Estados Unidos pela crise e pediu ações por parte da Casa Branca. "Essa é a causa principal da turbulência. Não é o único motivo, mas a causa básica", afirmou. "No ano passado, importantes desequilíbrios foram criados na economia americana. Por isso, como resposta, as autoridades devem adotar qualquer tipo de medida para reduzir esses déficits", disse o espanhol.

Ele ainda rejeitou a noção de que seja uma recessão global. "Não é isso que estamos vendo. O que vemos é o risco de uma recessão americana. A questão é como isso será evitada, o que acalmará tudo", afirmou Almunia. Hoje, o banco suíço UBS admitiu que já prevê uma recessão na economia americana para 2008.

A UE, apesar de resistir, hoje foi obrigada a reconhecer que a recessão americana está chegando. "Nos últimos meses, sempre descartamos uma recessão americana. Mas hoje não pode mais fazer isso", afirmou Jean Claude Junker, primeiro-ministro de Luxemburgo.

De uma forma quase ensaiada, os ministros europeus insistiram que o momento era de voltar à calma. "Não podemos reagir de forma exagerada. Os mercados fazem isso. Não os ministros. Não vejo risco de um colapso financeiro global", disse Junker.