A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento inicia em 2008 o trabalho de organização dos produtores rurais da região Centro-Sul do Estado para que possam atender à demanda por oleaginosas que será gerada com a instalação da usina de biodiesel da Petrobrás no município de Palmeira. ?O Paraná entra definitivamente para a era do biodiesel com a instalação da maior usina de processamento no País, conforme anúncio da Petrobrás ontem (27)?, disse o secretário Valter Bianchini.

O desafio da Secretaria, segundo o secretário, será promover a diversificação das pequenas propriedades rurais, que hoje dependem das culturas do fumo, soja e de um pólo leiteiro que está surgindo na região. ?A produção de oleaginosas para fabricação de biodiesel representa mais uma alternativa de renda para os agricultores e ainda potencializa as opções de culturas de inverno?, observou Bianchini.

Conforme estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral), serão cultivados cerca de 165 mil hectares com plantas oleaginosas para atender as necessidades da usina. O projeto da Secretaria prevê o envolvimento de aproximadamente 20 mil agricultores familiares na região Centro-Sul.

A instalação da usina de biodiesel no município de Palmeira faz parte de um protocolo de intenções firmado entre a Petrobrás e o governo do Paraná. A escolha do município foi da Petrobrás, em função da concentração de agricultores familiares, capacidade de produção de matéria-prima pela Agricultura Familiar, logística de transporte rodoviário e ferroviário e proximidade dos centros consumidores de óleo diesel.

A Petrobrás está negociando com a Prefeitura de Palmeira a doação de um terreno onde será construída a primeira usina de biodiesel de grande porte no Estado, que será a maior do País, disse o engenheiro agrônomo do Deral Richardson de Souza.

A estatal vai investir R$ 120 milhões e terá uma capacidade de produção de 113 milhões de litros por ano, devendo absorver matéria-prima não só de Palmeira, mas de todos os municípios da região Centro-Sul, que é típica da Agricultura Familiar e que concentra um baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). ?Um empreendimento desse porte traz também a oportunidade para a região produzir duas safras, de inverno e verão, que proporcionarão mais renda aos agricultores?, destacou o secretário Bianchini.

Para o trabalho de organização dos agricultores familiares, a Secretaria da Agricultura vai recorrer ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e ao Instituto Emater de Extensão Rural. Esses órgãos irão orientar tecnicamente os agricultores na opção pelo cultivo de oleaginosas como soja, girassol, canola, nabo forrageiro, mamona e amendoim, que se adaptam às condições de clima e solo da região Centro-Sul.

SUBSTITUIÇÃO DE CULTURAS ? O plantio de oleagionosas para produção de biodiesel irá auxiliar os produtores na substituição da cultura do fumo. Souza prevê benefícios por parte da Petrobrás aos agricultores que optarem pela substituição. Ente eles, o fornecimento de assistência técnica pela empresa; garantia de preços e pagamento antecipados, que são condições que irão proporcionar rentabilidade aos agricultores.

Segundo o secretário Bianchini, os agricultores familiares serão beneficiados pela política de biodiesel do governo federal, que dá prioridade à compra de matéria-prima da Agricultura Familiar. Para obtenção do selo social, que permite a redução de impostos federais, as usinas de biodiesel são obrigadas a comprar no mínimo 30% da matéria prima da Agricultura Familiar.